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Atualizado às: 14 de julho, 2005 - 22h14 GMT (19h14 Brasília)
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Escolas religiosas no Paquistão fomentam extremismo, diz especialista

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Algumas madrassas são acusadas de fomentar extremismo
A notícia de que um dos autores dos atentados a bomba suicidas em Londres estudou em uma escola religiosa muçulmana - ou madrassa - no Paquistão, voltou a levantar questões sobre o amplo sistema educativo religioso do país e o que ele está produzindo.

A família de Shehzad Tanweer disse que ele freqüentou uma madrassa durante dois meses na cidade de Lahore.

Isto levou a intensa especulação da mídia britânica de que ele pode ter sofrido uma "lavagem cerebral" para realizar os atentados.

Sabe-se que a maioria das madrassas são instituições moderadas que fornecem educação, acomodação e alimentos tão necessários para estudantes pobres. O Alcorão - o livro sagrado do islamismo - é estudado intensamente.

Mas seriam algumas dessas escolas "terreno fértil para o terror"?

Estima-se que agora existam certa de 20 mil madrassas no Paquistão, em comparação a cerca de 137 por ocasião da independência do país, há mais de 50 anos.

Dinheiro ocidental

De acordo com o jornal paquistanês, The News, cerca de 1,7 milhão de estudantes freqüentam estas instituições - a maioria deles, de famílias pobres da zona rural.

As razões para um aumento tão grande no número de madrassas remontam a 1979, quando a invasão soviética do Afeganistão fez com que países ocidentais e do Golfo Pérsico canalizassem grande quantidade de recursos para o Paquistão.

Boa parte desses recursos foi dirigida para madrassas e usada por grupos mujahideen contrários aos soviéticos para dar orientação religiosa e treinamento militar para milhares de jovens combatentes que lutaram contra os russos.

Os estudantes (ou talebs) das madrassas paquistanesas eram encontrados com freqüência no front dos grupos Mujahideen que expulsaram os soviéticos do Afeganistão.

A maioria dos integrantes do governo do Talebã, derrubado pelos americanos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, estudou em madrassas paquistanesas.

Foram atribuídos a militantes radicais que estudaram nas madrassas surtos de violência sectária ocorridos na última década no Paquistão. Centenas de xiitas e sunitas foram mortos.

Currículo

Críticos das madrassas se concentram no currículo inflexível que costuma ser aplicado. "Muitos estudantes desenvolvem uma visão intolerante, preconceituosa e bitolada de mundo", diz o jornalista paquistanês Ahmed Rashid.

Rashid afirma que umas poucas madrassas radicais no Paquistão empregam professores simpatizantes da rede Al-Qaeda, que encorajam os estudantes a entrarem em grupos extermistas na Caxemira (território disputado por Paquistão e Índia) e na Chechênia.

"Eles se radicalizaram gradativamente através deste processo", diz Rashid, "então não é de surpreender que acabassem entrando na Al-Qaeda."

Muitas famílias conservadoras paquistanesas na Grã-Bretanha e em outras partes do Ocidente enviam seus filhos para madrassas no Paquistão por períodos de seis a nove meses para completar a sua educação.

"O problema é que muitos, como Shehzad Tanweer, acham este processo desorientador e acabam mais confusos do que quando chegaram", diz Rashid.

Em 2001, pouco depois dos ataques ao World Trade Center, em Nova York, o presidente Pervez Musharraf prometeu reformar a rede de madrassas do Paquistão tornando compulsório o registro destas escolas junto às autoridades e introduzindo um currículo mais amplo, que não se concentrasse totalmente no estudo do Alcorão.

Mas o correspondente da BBC em Peshawar, Haroon Rashid, disse que há "poucos sinais visíveis" de que isto tenha sido feito.

Haroon Rashid disse que a maioria das reformas é "cosmética" por causa da relutância de muitas madrassas em aceitar interferência do governo e pelo desejo das autoridades de não alienar organizações islâmicas influentes.

Há dois anos, o repórter da BBC visitou o seminário Darul Uloom Haqqania na Província da Fronteira Noroeste, conhecido por estundantes e pelo reitor como Universidade da Guerra Santa.

"Jihad"

Lá os estudantes dedicam sua vida ao "jihad" e a "matar infiéis e inimigos do Islã".

O Parlamento Europeu recusou-se em abril a receber uma delegação de parlamentares paquistaneses que incluía o senador Maulana Sami ul-Haq, o reitor da "universidade", por causa de suas ligações com o Talebã.

"Embora instituições como esta não sejam tão abertas sobre suas atividades hoje, não há dúvida de que níveis de ódio e extremismo contra o Ocidente permaneçam", diz Rashid.

Especialistas como Burhanuddin Hasan, ex-diretor da TV do Paquistão, destaca que a grande maioria das madrassas do país são moderadas e dão educação para estudantes que não a conseguiriam de outra forma.

"Mas como eles não aprendem nem inglês e nem ciências, correm o risco de se tornarem desajustados na sociedade moderna", afirma Hasan.

"Nestes dias eles não podem fazer um serviço útil à nação a não ser realizar ritos religiosos em casamentos e funerais."

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