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Atualizado às: 29 de agosto, 2006 - 12h41 GMT (09h41 Brasília)
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Annan confere devastação no sul do Líbano
Destruição em Kafra, no sul do Líbano
Aldeias estão em ruínas e população reluta em voltar
Na primeira etapa de sua viagem ao Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, está vendo a destruição no sul do Líbano causada pelo conflito entre Israel e o grupo Hezbollah.

Annan sobrevoou algumas das regiões mais afetadas pelos bombardeios de Israel durante os 34 dias do conflito.

Na aldeia de Markaba, o secretário-geral da ONU disse que muitas questões permanecem sem solução, como os dois soldados israelenses capturados pelo Hezbollah, os prisioneiros mantidos em Israel, o bloqueio israelense ao Líbano e a necessidade de manter a segurança das fronteiras libanesas.

O correspondente da BBC em Naqoura, Jon Leyne, disse que muitas aldeias do sul do Líbano estão em ruínas e muitas minas terrestres, bombas e foguetes ainda se encontram no solo, com risco de explosão.

Força de paz

A população local está relutante em retornar às suas casas perto da fronteira até que os últimos israelenses tenham deixado a área, afirmou Leyne.

Israel disse que não vai retirar seus homens da região até que a força de paz da ONU esteja instalada, ao lado de soldados libaneses, nas áreas atualmente ocupadas pelo Hezbollah.

A União Européia prometeu enviar 7 mil homens para a força de paz, de um total de 15 mil soldados previsto pela ONU.

Na segunda-feira, o governo italiano aprovou o envio de 2,5 mil homens - o maior efetivo nacional até agora.

O contingente, formado por engenheiros, fuzileiros navais, especialistas em bombas e forças especiais, partiu para o Líbano nesta terça-feira.

Roteiro no Oriente Médio

Antes de sobrevoar as áreas devastadas, Annan visitou tropas da ONU na cidade de Naqoura - área ainda ocupada por tropas e tanques israelenses.

A viagem do secretário-geral da ONU ao Oriente Médio tem o objetivo de consolidar o cessar-fogo entre Israel e o grupo Hezbollah, que pôs fim ao conflito de quatro semanas.

Na segunda-feira, Annan encontrou-se com o premiê libanês, Fouad Siniora, e com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, um aliado do Hezbollah.

Entre os assuntos discutidos estava a força de paz da ONU.

Annan disse ainda que vai pedir ao governo israelense o fim dos bloqueios marítimos e terrestres no Líbano, impostos no início do conflito, para impedir que o Hezbollah tivesse acesso a armas.

Também pediu que o Hezbollah liberte os dois soldados israelenses seqüestrados em 12 de julho. A captura dos soldados foi o estopim para o conflito no sul do Líbano.

Depois do Líbano, Annan vai visitar ainda Israel, os Territórios Palestinos, a Síria e o Irã.

Embargo

Israel quer mais garantias de que o Hezbollah não será rearmado e afirmou que o embargo contra o Líbano vai continuar até que seja implementado um embargo de armas contra o grupo.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, anunciou que dois comitês governamentais de inquérito serão instalados para tratar do conflito no Líbano. Um deles será focado em questões políticas, e o outro em assuntos militares.

Segundo o correspondente da BBC Nick Thorpe, de Jerusalém, esse anúncio fica bem aquém dos pedidos por uma comissão independente, que teria o poder de recomendar o afastamento de altos oficiais.

Olmert é acusado de tentar evitar críticas, mas ele disse que não há tempo para uma investigação completa.

Na segunda-feira, em Haifa, Olmert admitiu que houve "falhas" durante a ofensiva, mas defendeu sua decisão de iniciar a campanha no sul do Líbano.

Mais de 1,1 mil libaneses e 159 israelenses foram mortos nos 34 dias do conflito.

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