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Atualizado às: 06 de agosto, 2006 - 07h15 GMT (04h15 Brasília)
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Proposta de trégua franco-americana desagrada Líbano
Soldado libanês em meio a escombros em Tiro
Israel voltou a bombardear o sul do Líbano no domingo
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve continuar neste domingo as discussões por uma resolução que estabeleça as condições para um cessar-fogo no Líbano.

No sábado, os Estados Unidos e a França, que apresentavam propostas diferentes para um cessar-fogo, anunciaram ter chegado a um acordo para a resolução.

A proposta comum de resolução começou a ser debatida na tarde de sábado entre os 15 países membros do Conselho de Segurança, e o governo americano se disse satisfeito com as primeiras reações a ela.

Porém as autoridades libanesas criticaram a proposta, dizendo que ela não é adequada.

Dirigentes do grupo militante Hezbollah, por sua vez, afirmaram que somente interromperão sua luta quando o Exército israelense deixar o país.

Interrupção de ataques

A proposta comum acertada entre França e Estados Unidos no sábado exige que o Hezbollah interrompa seus ataques com mísseis a Israel e que o Exército israelense suspenda todas as suas ofensivas militares.

Diplomatas na ONU esperam que a proposta possa ser votada entre a segunda e a terça-feira.

Há poucos sinais de que a violência poderia ser reduzida até lá.

Nas primeiras horas do domingo, um ataque aéreo israelense no vilarejo de Ansar, no sul do Líbano, teria provocado a morte de cinco civis, segundo fontes libanesas.

A ofensiva israelense começou há três semanas, após militantes do Hezbollah capturarem dois soldados israelenses.

Texto

A proposta de resolução da ONU, acertada após vários dias de discussões entre a França e os Estados Unidos, pede “a completa interrupção das hostilidades baseada, em particular, na interrupção imediata, pelo Hezbollah, de todos os ataques e da imediata interrupção por Israel de todas as operações de ofensiva militar”.

O texto não fala em “interrupção imediata das hostilidades”, como a França queria, nem uma exigência explícita do retorno dos soldados israelenses capturados, como preferiam os americanos.

Um porta-voz da Casa Branca disse que o presidente George W. Bush estava contente com a proposta de resolução, mas “não tem ilusões” sobre o trabalho necessário para implementá-la.

Uma segunda resolução seria necessária posteriormente para autorizar uma força internacional de paz para o sul do Líbano.

Na última semana, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que o Exército israelense somente deixaria o sul do Líbano após a chegada da força internacional.

Críticas

A proposta apresentada no Conselho de Segurança desagradou as autoridades libanesas. “Gostaríamos de ver nossas preocupações mais refletidas no texto”, disse o enviado libanês na ONU Nouhad Mahmoud.

Ele disse que faltava ao texto um pedido explícito para a retirada das tropas israelenses no Líbano. “Essa é uma receita para mais confrontos”, disse.

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, disse que a proposta “não é adequada”.

O Líbano não é atualmente membro do Conselho de Segurança, mas os Estados Unidos disseram que o governo do país tem sido consultado sobre as negociações na ONU.

Ataques

Israel lançou vários ataques aéreos na manhã deste domingo contra estradas na região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, praticamente isolando a área do resto do país e da vizinha Síria.

Dois militantes palestinos pertencentes à Frente Popular de Libertação da Palestina teriam sido mortos nos ataques.

Além disso, combates com militantes do Hezbollah no sul do Líbano deixaram dois soldados israelenses mortos – os primeiros reservistas mortos durante o atual conflito.

Cinco civis libaneses também teriam sido mortos por um ataque aéreo na região.

No sábado, aviões israelenses despejaram folhetos sobre a cidade de Sidon pedindo à população que deixasse a área.

O Exército israelense disse que pretendia atacar as bases de lançamento de mísseis do Hezbollah, mas queria evitar vítimas civis.

Mais de 120 mil pessoas vivem em Sidon, que já vinha abrigando também milhares de refugiados que já haviam deixado outras cidades mais ao sul atacadas por Israel.

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