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Atualizado às: 02 de agosto, 2006 - 17h40 GMT (14h40 Brasília)
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Hezbollah faz número recorde de ataques a Israel
Equipe de resgate examina corpo de homem morto em ataque do Hezbollah
Um dos foguetes do Hezbollah matou um israelense num kibbutz
O grupo xiita Hezbollah lançou 220 foguetes contra território israelense nesta quarta-feira, no pior dia de ataques desde o início dos confrontos no dia 12 de julho.

Um dos foguetes atingiu a cidade de Beit Shean, perto da Cisjordânia, a 70 quilômetros da fronteira com o Líbano. Foi o ataque de maior alcance da milícia.

Um israelense morreu na cidade de Nahariya, na costa do país, e dezenas de pessoas ficaram feridas no norte de Israel. Um dos foguetes também atingiu um local desabitado na Cisjordânia, território palestino.

O Hezbollah usou um novo tipo de foguete nos ataques, o Kaibar-1, que os israelenses acreditam ser uma versão modificada do iraniano Fajr-5. Os novos foguetes têm maior alcance que o modelo Katyusha, que estava sendo usado até agora.

Controle

A intensificação nos ataques da milícia xiita aconteceu no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, dizia que o país já tinha alcançado quase todos os seus objetivos no Líbano.

Para ele, as operações militares israelenses haviam destruído a infra-estrutura do Hezbollah, incluindo mais de 700 posições da milícia, e expulsado da fronteira com Israel os simpatizantes do grupo.

Um porta-voz do Hezbollah, Ghalib Abu Zeinab, disse à BBC que os últimos ataques mostravam que o Hezbollah continuava forte.

"Os foguetes que estão chovendo em Israel desde esta manhã e um míssil lançado a mais de 70 quilômetros em território israelense provam que a resistência libanesa ainda tem poder de fogo", disse ele.

O ministro do Interior de Israel, Avi Dichter, afirmou, em entrevista à BBC, que apesar de o Hezbollah ainda estar ativo, ele estava confiante de que seu país alcançaria seus objetivos no Líbano.

"O Hezbollah ainda está ativo, mas o objetivo da operação não é destruir o Hezbollah completamente. Estamos tentando diminuir o número de foguetes lançados contra Israel e sabemos que todas as outras metas dessa operação especial serão atingidas", disse Dichter.

Tropas internacionais

O primeiro-ministro Ehud Olmert insistiu que Israel continuaria em combate até que forças internacionais fortes chegassem ao sul do Líbano.

"Eu disse que estaria pronto para um cessar-fogo não quando forças internacionais estiverem prontas, mas quando elas forem deslocadas", declarou Olmert.

"Não vamos cessar os bombardeios e esperar semanas por uma força internacional, pois nessas semanas a realidade voltará a ser o que era, e não é o que queremos."

O correspondente da BBC Frank Gardner diz que como não há nenhuma definição sobre uma força internacional no sul do Líbano, as declarações de Olmert podem significar semanas a mais de combates.

Baalbek

Tropas de Israel fizeram nesta quarta-feira um ataque violento à cidade libanesa de Baalbek, a cem quilômetros da fronteira.

Dez pessoas morreram no local. Os israelenses dizem que eles eram todos militantes, enquanto o Hezbollah afirma que as vítimas eram civis.

O Exército de Israel afirma ainda ter capturado cinco integrantes do grupo xiita durante a operação, que foram então levados para Israel.

Numa declaração transmitida pelo canal de TV Al-Manar, do Hezbollah, a milícia disse que as pessoas em poder dos israelenses são "civis comuns".

O ataque em Baalbek começou com bombardeios aéreos, seguidos pela chegada de um helicóptero que pousou perto de um hospital nos arredores da cidade, o que deu início a combates ferozes com militantes do Hezbollah por várias horas.

Há informações de que oficiais israelenses acreditavam que os dois soldados capturados pelo Hezbollah estavam sendo mantidos no hospital.

Reduto do Hezbollah

Os ataques aéreos de Israel nesta quarta também atingiram a cidade de Jammaliyeh, uma vila perto de Baalbek, matando vários civis, incluindo cinco membros de uma mesma família, de acordo com testemunhas.

Baalbek é conhecida como um reduto do Hezbollah, um local onde vários líderes do grupo vivem.

A área vem sendo bombardeada por Israel desde o início do conflito, mas esta foi a primeira vez que os israelenses enviaram tropas terrestres para uma cidade tão longe da fronteira.

Correspondentes da BBC dizem que a operação acabou com o clima de otimismo no Líbano, criado pelos esforços diplomáticos internacionais por um cessar-fogo.

Depois de quase três semanas de combates, cerca de 750 pessoas, a maioria civis, morreram nas ações israelenses no Líbano, segundo o governo libanês.

Segundo as autoridades de Israel, 55 israelenses, incluindo pelo menos 19 civis, foram mortos pelos ataques do Hezbollah.

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