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Atualizado às: 21 de julho, 2006 - 10h30 GMT (07h30 Brasília)
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Israel ataca 'ambulâncias e já matou 330'
Primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora
Siniora: 'ataques não são contra Hezbollah, mas contra o Líbano'
O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse em entrevista à rede de televisão CNN nesta sexta-feira que as Forças Armadas israelenses atacaram ambulâncias e comboios médicos no Líbano, além de terem destruído 55 pontes e matado mais de 330 pessoas em dez dias de violência.

"Este ataque não é mais contra o Hezbollah, é um ataque contra os libaneses e o Líbano", disse Siniora.

Depois que grande parte da infra-estrutura do país foi atingida durante as operações de Israel, o trabalho das agências de ajuda humanitária ficou mais difícil, assim como a retirada de estrangeiros do Líbano.

Com pontes, estradas, indústrias e aeroportos destruídos, estima-se que os prejuízos causados pela ofensiva israelense já cheguem à casa dos bilhões de dólares.

Problemas econômicos

O correspondente da BBC Mark Gregory diz que apesar de os bombardeios de Israel terem atingido vários depósitos de combustível, ainda não há falta generalizada do produto no país, mas os preços do petróleo e do diesel já estariam em alta.

Pelo menos dois hospitais teriam sido atingidos no confronto e muitos pequenos negócios fecharam as portas por falta de consumidores, além do perigo para que funcionários chegassem ao trabalho.

Até dez dias atrás, a economia libanesa mostrava crescimento. A recuperação depois de anos de guerra civil estava a todo vapor e milhões de turistas eram esperados no país este ano.

Fim da Agressão

Em meio ao aumento da destruição no Líbano, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pediu, na quinta, a imediata suspensão das agressões entre Israel e militantes do Hezbollah.

"Israel afirma que não tem fortes divergências com o governo e nem com o povo do Líbano, e que está adotando precauções extremas para evitar ferí-los", afirmou.

"Ainda assim, várias de suas ações feriram e mataram civis libaneses e militares e causaram grandes danos à infra-estrutura."

"As ações do Hezbollah são deploráveis e, como eu disse, Israel tem o direito de se defender, mas o uso excessivo de força deve ser condenado", concluiu o secretário-geral.

Annan afirmou ainda que o Líbano está sendo mantido como refém de ações levianas do movimento Hezbollah, e que o governo libanês pode não sobreviver à resposta militar israelense.

Annan disse ao Conselho de Segurança da ONU que era "imperativo" estabelecer vias de acesso para as iniciativas assistenciais, devido ao crescente receio de uma catástrofe humanitária.

Corredor humanitário

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, concordou em permitir a criação de um corredor humanitário entre Líbano e Chipre. Até agora, Israel impôs um bloqueio naval no Líbano, impedindo a entrega a milhares de pessoas surpreendidas pela violência de suprimentos essenciais.

O apelo de Kofi Annan veio logo depois de um pedido similar da União Européia, que anunciou uma verba de 10 milhões de euros (cerca de R$ 27,4 milhões) para iniciativas assistenciais no Líbano.

Estradas destruídas pelos bombardeios israelenses no Líbano têm dificultado o trabalho de entidades como a Cruz Vermelha.

"Não vamos abandonar o povo libanês nesse momento de necessidade, mas precisamos ter cautela", afirmou Annan.

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