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Atualizado às: 01 de novembro, 2005 - 11h51 GMT (09h51 Brasília)
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Irmão de Assad pode depor à ONU, promete Síria
O chefe da investigação da ONU, Detlev Mehlis
Relatório de Mehlis acusou a Síria de fornecer informações erradas
O governo sírio disse nesta terça-feira que dois parentes do presidente Bashar al-Assad atenderão a um eventual pedido das Nações Unidas para interrogá-los como parte do inquérito que investiga as responsabilidades pelo atentado que matou o ex-premiê libanês Rafik Hariri em fevereiro, em Beirute.

Segundo o embaixador sírio na Grã-Bretanha, Sami al-Kheyami, o irmão e o cunhado de Assad, acusados pelo relatório preliminar da ONU de responsabilidade sobre o atentado, vão cooperar plenamente com a investigação se forem convocados a depor.

O chefe da equipe de investigação das Nações Unidas sobre o atentado, Detlev Mehlis, retornou nesta segunda-feira ao Líbano, um dia após o Conselho de Segurança da ONU ter dado pouco mais de um mês de prazo para a Síria cooperar plenamente com o inquérito.

O relatório preliminar de Mehlis acusou altos funcionários de segurança da Síria e do Líbano de responsabilidade pelo atentado contra Hariri.

Mehlis acusou a Síria de enganar a equipe de investigadores, mas o ministro das Relações Exteriores da Síria, Farouq al-Sharaa, acusou o inquérito de ser "medieval" e reclamou que a resolução do conselho esteve baseada na presunção do envolvimento sírio no atentado.

"Está claro para qualquer um que tenha acompanhado a questão que a cooperação da Síria foi completa. Repito: completa", disse al-Sharaa.

Pela resolução aprovada na segunda-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, a Síria tem até 15 de dezembro para cumprir a determinação, apoiada por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, que inclui deter os suspeitos indicados pela investigação.

Retirada

O atentado a bomba que matou Hariri em fevereiro gerou uma onda de críticas generalizadas à Síria, que foi forçada a retirar suas forças do Líbano como resultado.

A resolução adotada por unanimidade pelo Conselho de Segurança na segunda-feira disse que todos os suspeitos de envolvimento na morte de Hariri seriam proibidos de viajar e teriam seus bens congelados.

Porém os países que apresentaram a proposta retiraram no último minuto algumas ameaças de sanções para conseguir apoio para aprová-la.

A Rússia e a China haviam criticado as sanções à Síria previstas na primeira versão da proposta, dizendo que elas eram muito duras.

Decisão estratégica

Em declaração no conselho após a votação da resolução, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que o governo sírio precisava tomar uma decisão estratégica para "mudar fundamentalmente seu comportamento".

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse que a Síria recebeu um aviso de que a paciência da ONU tem limites.

Mas o ministro das Relações Exteriores da China, Li Zhaoxing, advertiu de que o relatório de Mehlis ainda era preliminar e que adotar sanções agora não seria apropriado.

A Síria anunciou no último fim de semana que estabeleceria seu próprio inquérito sobre a morte de Hariri.

O governo sírio disse que um comitê judicial especial questionaria funcionários civis e militares no país.

Segundo o presidente sírio, o comitê também cooperará com a investigação da ONU.

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