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Votos de eleição histórica são contados no Egito | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A apuração dos votos para presidente no Egito começou nesta quarta-feira, depois da primeira eleição multipartidária no país. Analistas são unânimes, no entanto, na avaliação de que o presidente Hosni Mubarak será reeleito para o que seria seu quinto mandato, que dura seis anos no Egito. O governo apresentou a votação no país mais populoso do mundo árabe como um sucesso, mas a disputa foi marcada por denúncias de irregularidades, como intimidação de eleitores, votos múltiplos e fraudes. As acusações são feitas por grupos de oposição e grupos de defesa de direitos civis. O principal candidato de oposição, Ayman Nour, do partido Ghad, disse que as eleições não foram justas e prometeu contestar o resultado. Entre os nove oponentes de Mubarak, apenas Nour e Nomaan Gomaa, do partido Wafd, têm alguma expressividade política no Egito. Assim como o Ghad, o Wafd também criticou o pleito. "Eu estou muito desapontado. Eu não estava esperando uma eleição perfeita, mas a extensão das irregularidades e a premeditação foi inaceitáveil", afirmou Munir Abdel Nur, um líder do partido. "Mais democracia" O governo minimizou os problemas, dizendo que eles não chegaram a ameaçar as eleições. "Pode haver alguns comentários, talvez algumas violações aconteceram, mas nós temos de concordar que nós estamos vendo uma experiência que nós podemos construir para o futuro em que realizem mais liberdade e mais democracia para a sociedade do Egito", afirmou o ministro da Informação Minister Anas al-Fiqi depois do fechamento das urnas, segundo a agência de notícias Associated Press. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse que Washington está acompanhando a eleição, que ele definiu como "um começo". De acordo com relatos, diversos eleitores foram levados de ônibus a postos de votação e instruídos a votar em Mubarak. Há também relatos de que pessoas foram autorizadas a votar mesmo sem apresentar cédula de eleitor, que outras não foram marcadas com tinta indelével após terem votado e ainda outras que teriam recebido dinheiro e bens em troca de seu voto. A comissão eleitoral do país não permitiu o monitoramento da votação nem por fiscais internacionais nem por organizações não-governamentais egípcias. Oposição A maioria dos partidos de oposição decidiu boicotar as eleições argumentando que o sistema está todo montado para garantir a vitória do governo. Pela nova lei eleitoral egípcia, se nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, os dois participantes com maior número de votos se enfrentam em segundo turno. Analistas não acreditam, no entanto, que Nour, um jovem liberal que chegou a ser preso no início deste ano, nem Gomaa, líder de um partido que já foi forte mas se vê hoje enfraquecido pelas restrições políticas no país, tenham chance de reunir os votos necessários para ir ao segundo turno com Mubarak, muito menos derrotá-lo. O maior grupo de oposição, a Irmandade Muçulmana, ficou fora da disputa porque não é considerado partido político. Comparecimento O índice de comparecimento às urnas não foi divulgado pelo governo, mas algumas autoridades disseram que grandes grupos foram vistos em seções eleitorais. Observadores independentes, por outro lado, disseram que a participação, obrigatória por lei, parece ter sido baixa. Segundo a correspondente da BBC no Cairo Heba Saleh, muitos egípcios estão decepcionados com a política depois de décadas de autoritarismo e influência estatal na mídia. |
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