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Liberais vão enfrentar Mubarak em eleição no Egito | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os dois principais adversários do presidente do Egito, Hosni Mubarak, na primeira eleição multipartidária do país são dois conhecidos liberais. A homologação das candidaturas foi anunciada pela comissão eleitoral nesta quinta-feira: foram apresentadas 39 candidaturas, das quais oito foram aprovadas. Nove foram descartadas e 22 tiveram que ser reavaliadas. Ayman Nur, do Partido Al-Ghad, e Noman Gomaa, do Partido neo-Wafd, são tidos como os principais nomes a enfrentar o presidente. Além deles, outros seis candidatos de partidos sem grande representatividade entraram na corrida, fundamentalmente para aproveitar a inédita possibilidade de terem alguma exposição na mídia. Apesar da abertura eleitoral e da confirmação dos nomes, os analistas – e também muita gente na oposição – concordam que vai ser muito difícil alguém tirar a vitória de Mubarak na disputa marcada para 7 de setembro. "Se os dois principais candidatos da oposição (Nur e Gomaa) conseguirem juntos algo entre 20% e 30% dos votos acho que já se pode considerar um sucesso para eles. Acho também que o interesse na disputa e a participação eleitoral vai ser baixa porque já há uma percepção generalizada de que a vitória é de Mubarak", disse o professor de ciências políticas da Universidade do Cairo, Mustafá Kamel al-Sayed. Neutralidade Os oposicionistas dizem que é impossível bater Mubarak porque o Partido Nacional Democrático (do governo) pode mobilizar a mídia nacional e a estrutura do Estado a seu favor. Também os principais líderes religiosos dos muçulmanos e dos cristão cópticos do Egito já recomendaram aos fiéis o voto em Mubarak. "A igualdade de tratamento é mencionada na emenda constitucional que estabeleceu as novas regras eleitorais mas não está sendo respeitada", disse o presidente do partido marxista Tagammoa, Rifat al-Said. A agremiação resolveu não apresentar candidato nestas eleições em protesto contra o que eles consideram uma "farsa". Outro partido importante que discutiu o assunto até a última hora mas decidiu não apresentar candidato foi o Nasserista. "Muita gente no partido argumentou que deveríamos participar destas eleições para que nosso partido aparecesse e se preparasse para próximas eleições. Mas chegamos à conclusão de que só entrar na disputa já seria ruim porque desagradaria a muitos egípcios que, como nós, pensam que isto é uma farsa", disse al-Sayed. Mas o político disse que o partido ainda vai decidir na semana que vem se oferece o apoio a algum dos candidatos que entraram na disputa. Islamismo A mudança nas regras que regem as eleições foi feita por emenda apresentada em fevereiro pelo presidente Mubarak. Mas, apesar de acabar com o regime de candidato único, a mudança estabeleceu diversas regras que dificultaram a apresentação de oposicionistas que poderiam ter mais força contra ele, como os representantes de grupos islâmicos. A Irmandade Islâmica é talvez o grupo de oposição mais forte no Egito mas não tem autorização para formar um partido político e existe como organização num regime de clandestinidade tolerada. O grupo tem alguns deputados eleitos para o Parlamento como independentes mas decidiu nem tentar apresentar candidato neste ano. Com as eleições se aproximando, o clima político está esquentando no Egito com protestos nas ruas cada vez mais constantes, maiores e mais ousados. Os principais deles são organizados pela Irmandade Muçulmana e, principalmente, pelo movimento Kifaya (Basta, em árabe), que reúne diversos partidos e grupos da oposição secular. Mas mesmo que as eleições fossem mais abertas e competitivas, a maioria dos analistas diz que ainda assim seria difícil derrotar Mubarak. "Claro que a promoção da democracia é uma grande preocupação pessoal minha, mas não acho que seja um tema que preocupe tanto aos egípcios. As pessoas estão mais preocupadas com a pobreza e o desemprego do que com questões políticas mais profundas", diz Al-Sayed. "Acho que ninguém acredita que uma mudança de governo poderia trazer respostas rápidas para estes problemas e por isso pode haver uma tendência de simplesmente continuarmos do jeito que está", disse. |
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