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Atualizado às: 04 de agosto, 2005 - 21h56 GMT (18h56 Brasília)
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Liberais vão enfrentar Mubarak em eleição no Egito

Hosni Mubarak
Presidente acabou com regime de candidato único em fevereiro
Os dois principais adversários do presidente do Egito, Hosni Mubarak, na primeira eleição multipartidária do país são dois conhecidos liberais.

A homologação das candidaturas foi anunciada pela comissão eleitoral nesta quinta-feira: foram apresentadas 39 candidaturas, das quais oito foram aprovadas. Nove foram descartadas e 22 tiveram que ser reavaliadas.

Ayman Nur, do Partido Al-Ghad, e Noman Gomaa, do Partido neo-Wafd, são tidos como os principais nomes a enfrentar o presidente.

Além deles, outros seis candidatos de partidos sem grande representatividade entraram na corrida, fundamentalmente para aproveitar a inédita possibilidade de terem alguma exposição na mídia.

Apesar da abertura eleitoral e da confirmação dos nomes, os analistas – e também muita gente na oposição – concordam que vai ser muito difícil alguém tirar a vitória de Mubarak na disputa marcada para 7 de setembro.

"Se os dois principais candidatos da oposição (Nur e Gomaa) conseguirem juntos algo entre 20% e 30% dos votos acho que já se pode considerar um sucesso para eles. Acho também que o interesse na disputa e a participação eleitoral vai ser baixa porque já há uma percepção generalizada de que a vitória é de Mubarak", disse o professor de ciências políticas da Universidade do Cairo, Mustafá Kamel al-Sayed.

Neutralidade

Os oposicionistas dizem que é impossível bater Mubarak porque o Partido Nacional Democrático (do governo) pode mobilizar a mídia nacional e a estrutura do Estado a seu favor. Também os principais líderes religiosos dos muçulmanos e dos cristão cópticos do Egito já recomendaram aos fiéis o voto em Mubarak.

"A igualdade de tratamento é mencionada na emenda constitucional que estabeleceu as novas regras eleitorais mas não está sendo respeitada", disse o presidente do partido marxista Tagammoa, Rifat al-Said.

A agremiação resolveu não apresentar candidato nestas eleições em protesto contra o que eles consideram uma "farsa". Outro partido importante que discutiu o assunto até a última hora mas decidiu não apresentar candidato foi o Nasserista.

"Muita gente no partido argumentou que deveríamos participar destas eleições para que nosso partido aparecesse e se preparasse para próximas eleições. Mas chegamos à conclusão de que só entrar na disputa já seria ruim porque desagradaria a muitos egípcios que, como nós, pensam que isto é uma farsa", disse al-Sayed.

Mas o político disse que o partido ainda vai decidir na semana que vem se oferece o apoio a algum dos candidatos que entraram na disputa.

Islamismo

A mudança nas regras que regem as eleições foi feita por emenda apresentada em fevereiro pelo presidente Mubarak. Mas, apesar de acabar com o regime de candidato único, a mudança estabeleceu diversas regras que dificultaram a apresentação de oposicionistas que poderiam ter mais força contra ele, como os representantes de grupos islâmicos.

A Irmandade Islâmica é talvez o grupo de oposição mais forte no Egito mas não tem autorização para formar um partido político e existe como organização num regime de clandestinidade tolerada.

O grupo tem alguns deputados eleitos para o Parlamento como independentes mas decidiu nem tentar apresentar candidato neste ano.

Com as eleições se aproximando, o clima político está esquentando no Egito com protestos nas ruas cada vez mais constantes, maiores e mais ousados.

Os principais deles são organizados pela Irmandade Muçulmana e, principalmente, pelo movimento Kifaya (Basta, em árabe), que reúne diversos partidos e grupos da oposição secular.

Mas mesmo que as eleições fossem mais abertas e competitivas, a maioria dos analistas diz que ainda assim seria difícil derrotar Mubarak.

"Claro que a promoção da democracia é uma grande preocupação pessoal minha, mas não acho que seja um tema que preocupe tanto aos egípcios. As pessoas estão mais preocupadas com a pobreza e o desemprego do que com questões políticas mais profundas", diz Al-Sayed.

"Acho que ninguém acredita que uma mudança de governo poderia trazer respostas rápidas para estes problemas e por isso pode haver uma tendência de simplesmente continuarmos do jeito que está", disse.

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