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Atualizado às: 30 de agosto, 2005 - 10h33 GMT (07h33 Brasília)
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Divisão iraquiana pode incentivar minorias no mundo árabe

Sunitas iraquianos
Sunitas são etnia predominante no poder no mundo árabe
As divisões étnicas e religiosas que existem em quase todos os países árabes podem estar na origem do receio com a “federalização” do Iraque – expressado em entrevista à BBC pelo secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa – segundo analistas na região.

Embora apenas o Iraque e o Bahrein tenham maiorias xiitas entre as nações árabes, praticamente todos os outros países têm suas próprias divisões internas envolvendo outros grupos.

E em todos eles – com exceção do Líbano, onde há uma divisão de poder entre sunitas, xiitas e cristãos –, são os sunitas que formam a classe dominante.

Para o diretor adjunto do Centro Al-Ahram de Ciências Políticas, no Cairo, Hassan Abu Taleb, é a idéia de divisão do poder que assusta a vizinhança.

“Quase todas as nações árabes têm diferentes grupos étnicos e a estratégia para lidar com isso sempre foi a centralização de poder”, diz o pesquisador.

Exemplo

“Se a idéia de federalização no Iraque der certo, isso pode servir de exemplo em outros países onde o poder é concentrado. Aqui no Egito, por exemplo, há uma minoria cristã copta que poderia ser inspirada a pedir mais participação no poder também”, opina.
Mas Abu Taleb diz que os países árabes dificilmente vão se pronunciar abertamente a respeito do assunto.

“Como quase todos enfrentam problemas semelhantes com minorias, a regra é evitar comentários com o que está acontecendo ao outro”, explica.

Para o professor de Ciências Políticas da Universidade dos Emirados Árabes Unidos, Abdel Khaliq Abdallah, a discussão a respeito da Constituição mostra a dificuldade de substituir o regime centralizador ao estilo árabe adotado por Saddam Hussein.

Novo sistema

Para Abadallah o processo está mostrando o andamento da democracia “ao estilo iraquiano”.

“É importante lembrar que este não é um documento pronto mas algo que ainda está sendo discutido e ajustado”, disse.

“Este é um trabalho para os iraquianos e não para Amr Moussa (da Liga Árabe), para os Estados Unidos ou para outros países árabes”, disse.

Abdallah discorda da reclamação dos sunitas iraquianos de que eles não estão sendo adequadamente representados nas discussões sobre a Constituição.

“Os sunitas tiveram 15 representantes não eleitos na comissão que redigiu a Constituição, tiveram diversos artigos modificados atendendo interesses deles e ainda têm a possibilidade de rejeitar tudo no referendo de outubro.”

Para o pesquisador, a preocupação das nações árabes agora é que o Iraque tenha estabilidade, independentemente de quem estiver no governo.

Problemas internos

Em um momento de muitas mudanças aqui no Oriente Médio, os países árabes também têm muitos problemas internos com quais se preocupar, o que pode estar diminuindo a atenção dada ao Iraque.

Segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Egípcio, Mustafa Al-Fekky, é este o caso aqui no Egito.

“Estamos agora chegando às eleições presidenciais no Egito. Já temos problemas suficientes aqui para nos preocuparmos também com o que está acontecendo no Iraque”, disse.

Mas Al-Fekky afirmou que o governo egípcio está satisfeito em ver discussões e progressos políticos acontecendo no Iraque, mesmo que a situação por lá continue muito complicada.

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