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EUA libertam mil prisioneiros de Abu Ghraib, em Bagdá | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As forças americanas no Iraque anunciaram neste sábado a libertação de cerca de mil prisioneiros, a pedido do governo iraquiano, da prisão de Abu Ghraib, em Bagdá. Esta foi a maior libertação de prisioneiros desde o início da guerra, em 2003. Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Jonathan Charles, a libertação dos prisioneiros pode ser interpretada como um gesto de boa vontade das autoridades para tentar criar uma “atmosfera apropriada” para tirar do impasse as negociações sobre a nova Constituição do país. Na noite da sexta-feira, representantes xiitas e curdos haviam anunciado um acordo para a votação do esboço da nova Carta após supostas concessões feitas pelos representantes sunitas, que se negavam a aceitar uma estrutura federalista que desse demasiada autonomia a curdos e xiitas no país. Porém líderes sunitas negaram o acordo. Os representantes sunitas nas negociações para a nova Constituição exigiam a libertação de prisioneiros sunitas para que pudessem votar no referendo sobre a nova Carta, em outubro, e nas eleições parlamentares previstas para o fim do ano. Segundo o comando militar americano, os prisioneiros foram libertados entre os dias 24 e 27 de agosto e representam diferentes comunidades iraquianas, não somente sunitas. De acordo com o comunicado, os prisioneiros libertados não eram acusados de crimes graves como ataques a bomba, assassinato, tortura ou seqüestro e renunciaram à violência. A prisão de Abu Ghraib ganhou notoriedade no ano passado por ser o palco dos maus-tratos a prisioneiros iraquianos por parte de soldados americanos revelados em imagens divulgadas pela imprensa. Votação O presidente da comissão constitucional do Iraque, Sheik Humam Hammoudi, disse que o projeto da nova Carta será submetido a votação do Parlamento neste sábado ou domingo. A data, acrescentou, vai depender se haverá tempo suficiente para levar os membros da Assembléia Nacional a Bagdá – muitos deixaram a capital durante o fim de semana. Hammoudi, um xiita, disse que "houve um acordo sobre as diferenças, incluindo a questão do federalismo". "Isso vai dar garantias aos sunitas", observou. Os comentários de Hammoudi podem indicar que xiitas e curdos decidiram terminar as discussões com os sunitas e mandar o texto para a Assembléia, onde as duas comunidades possuem grande maioria. Horas antes, negociadores xiitas que participam da formulação da nova Constituição disseram ter apresentado suas propostas finais para os sunitas. Afirmaram ter feito concessões em áreas como o federalismo e sobre a proibição de cargos públicos para ex-membros do partido Baath, de Saddam Hussein, e que não iriam alterar mais suas posições. A dificuldade de entendimento entre os grupos xiitas, sunitas e curdos levou o presidente americano, George W. Bush, a intervir pessoalmente nesta semana em busca de um acordo. Bush contatou por telefone na quarta-feira o líder xiita Abdulaziz al-Hakim e pediu a ele maior flexibilidade em alguns pontos polêmicos do projeto que são rejeitados pela minoria sunita. A Casa Branca confirmou o telefonema, mas não deu detalhes sobre o teor da conversa. Autonomia Políticos xiitas disseram que Bush pediu concessões em temas como o federalismo e a proibição aos ex-membros do partido Baath – exatamente os assuntos em que os xiitas dizem agora ter flexibilizado suas posições. Os negociadores sunitas se recusavam a aprovar um texto que prevê que o Iraque se torne uma federação, como pedem os xiitas e curdos. Esses grupos querem ter autonomia de controle, respectivamente, no sul e norte do país. Jawad al-Maliki, que faz parte da delegação xiita nas discussões, disse que houve avanços nessa questão do federalismo, mas que os sunitas têm defendido com rigor os direitos dos ex-integrantes do Baath. |
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