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Xiitas e sunitas divergem sobre acordo para Carta iraquiana | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os líderes que negociam uma nova Constituição para o Iraque adotaram posições contraditórias sobre a conclusão de um acordo sobre o documento dentro do prazo previsto de meia-noite desta sexta-feira. Políticos xiitas, como o vice-primeiro-ministro Ahmad Chalabi, disseram que as partes chegaram a um entendimento e que a Carta será submetida a votação do Parlamento. Um porta-voz de Chalabi disse que os sunitas, que se negavam a aceitar uma estrutura federalista que desse demasiada autonomia a curdos e xiitas no país, fizeram concessões sobre o tema. Mas os sunitas negam que tenham chegado a um acordo. "Não chegamos a um acordo, se tivéssemos chegado, teríamos anunciado", disse à agência de notícias Reuters o presidente do Parlamento, o sunita Hajim al-Hassani. Votação O presidente da comissão constitucional do Iraque, Sheik Humam Hammoudi, disse que o projeto da nova Carta será submetido a votação do Parlamento neste sábado ou domingo. A data, acrescentou, vai depender se haverá tempo suficiente para levar os membros da Assembléia Nacional a Bagdá – muitos deixaram a capital durante o fim de semana. Hammoudi, um xiita, disse que "houve um acordo sobre as diferenças, incluindo a questão do federalismo". "Isso vai dar garantias aos sunitas", observou. Os comentários de Hammoudi pode ser indicativo de que os xiitas e curdos decidiram terminar as discussões com os sunitas e mandar o texto para a Assembléia, onde as duas comunidades possuem grande maioria. Horas antes, negociadores xiitas que participam da formulação da nova Constituição disseram ter apresentado suas propostas finais para os sunitas. Afirmaram ter feito concessões em áreas como o federalismo e sobre a proibição de cargos públicos para ex-membros do partido Baath, de Saddam Hussein, e que não iriam alterar mais suas posições. A dificuldade de entendimento entre os grupos xiitas, sunitas e curdos levou o presidente americano, George W. Bush, a intervir pessoalmente nesta semana em busca de um acordo. Bush contatou por telefone na quarta-feira o líder xiita Abdulaziz al-Hakim e pediu a ele maior flexibilidade em alguns pontos polêmicos do projeto que são rejeitados pela minoria sunita. A Casa Branca confirmou o telefonema, mas não deu detalhes sobre o teor da conversa. Autonomia Políticos xiitas disseram que Bush pediu concessões em temas como o federalismo e a proibição aos ex-membros do partido Baath – exatamente os assuntos em que os xiitas dizem agora ter flexibilizado suas posições. Os negociadores sunitas se recusavam a aprovar um texto que prevê que o Iraque se torne uma federação, como pedem os xiitas e curdos. Esses grupos querem ter autonomia de controle, respectivamente, no sul e norte do país. Jawad al-Maliki, que faz parte da delegação xiita nas discussões, disse que houve avanços nessa questão do federalismo, mas que os sunitas têm defendido com rigor os direitos dos ex-integrantes do Baath. Pró-Saddam Milhares de pessoas participaram de protestos nesta sexta-feira na cidade de Baquba contra a proposta de Constituição e a favor do ex-presidente Saddam Hussein. Manifestantes exibiram imagens de Saddam, que se encontra preso, e cantaram slogans de apoio ao partido Baath, que governava o país até a invasão comandada pelos Estados Unidos, em 2003. O projeto de Constituição prevê a proibição das atividades do Baath. Cinco pessoas ficaram feridas depois que a polícia disparou para o alto para dispersar a multidão que seguia em direção à sede do governo de Baquba, segundo a agência de notícias EFE. Poço de petróleo Baquba é uma das cidades que fazem parte do chamado “triângulo sunita”, onde é forte a oposição à nova ordem instalada no país desde a invasão americana e na qual é poder político é controlado por grupos xiitas. Centenas de sunitas também saíram às ruas de Kirkuk, cidade rica em petróleo que a minoria curda pretende incluir em uma região autônoma no norte iraquiano. Insurgentes realizaram um ataque nesta sexta-feira contra um poço de petróleo em Kirkuk. As chamas resultantes do ataque ameaçam interromper os trabalhos do poço, que extrai entre 7 mil e 10 mil barris por dia e alimenta um oleoduto que chega até a Turquia. |
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