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Carta é 'receita para caos', diz Liga Árabe | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que partes do novo projeto de Constituição do Iraque são uma "receita para o caos". Em entrevista à BBC, Moussa manifestou sua preocupação com a falta de consenso no Iraque sobre a Constituição, que foi aprovada por negociadores xiitas e curdos no domingo, sem o apoio de sunitas. Segundo ele, a Liga Árabe tem a mesma preocupação dos sunitas em relação ao federalismo e também em relação ao fato de a Constituição não identificar o Iraque como um país árabe, aparentemente por concessão às minorias que não são árabes, como os curdos. No domingo, o presidente americano, George W. Bush, elogiou a conclusão dos trabalhos para a criação da nova Constituição iraquiana e minimizou a decisão dos líderes muçulmanos sunitas de boicotar o documento. 'Liberdade' "Obviamente existem divergências. Estamos assistindo ao desenrolar de um processo político", disse Bush. "Alguns sunitas mostraram reservas sobre alguns pontos da Constituição. Esse é um direito deles como cidadãos livres vivendo em uma sociedade livre." Também no domingo, o governo britânico divulgou nota conclamando os iraquianos para que participem do referendo sobre a nova Constituição, em outubro. Após o fim das conversações, negociadores sunitas pediram a intervenção da ONU (Organização das Nações Unidas) e da Liga Árabe para resolver a disputa. "Declaramos que não aceitamos e rejeitamos os artigos mencionados no texto e que não atingimos um consenso, tornando o documento ilegítimo", disse um comunicado sunita. Os principais pontos de oposição sunita são a cassação dos direitos políticos de ex-integrantes do partido Baath, de Saddam Hussein (partido que governou o país entre 1969 e 2003), e a proposta de federalizar o país. A minoria sunita teme que uma maior autonomia para os curdos no norte e para os xiitas no sul possa comprometer sua parcela na receita com o petróleo. As principais reservas do país estão nas regiões curdas e xiitas. Otimismo Para que a Constituição seja ratificada, ela precisa ser aprovada pela maioria do eleitorado e não pode ser rejeitada por dois terços ou mais dos eleitores em pelo menos três províncias. Os sunitas são a grande maioria do eleitorado em pelo menos quatro das 18 províncias iraquianas, embora essas sejam algumas das regiões mais violentas do país – o que pode dificultar uma campanha sunita pelo “não”. Muitos comentaristas temem que, se a Constituição for rejeitada, o Iraque se torne ainda mais instável e que se estabeleça um vácuo político, que pode ser preenchido pela insurgência predominantemente sunita. O presidente interino do Iraque, Jalal Talabani, pediu para que os iraquianos ratifiquem o documento, dizendo que “com exceção do Corão, não existe livro perfeito". "Esperamos que a Constituição seja aceita por todos os iraquianos. Estamos otimistas." |
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