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Atualizado às: 07 de março, 2005 - 07h21 GMT (04h21 Brasília)
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Presidente da Bolívia oferece renúncia
Carlos Mesa
Carlos Mesa estava no poder há 17 meses
O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou sua renúncia, em meio a protestos contra o seu governo no domingo.

Ele fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, dizendo que vai apresentar formalmente o pedido de renúncia ao Congresso ainda nesta segunda-feira.

"Amanhã (segunda-feira), apresentarei minha renúncia ao presidente do Congresso, para que o Congresso possa tomar uma decisão. Cheguei ao limite no meu trabalho", declarou.

Ele afirmou que os protestos, organizados por vários grupos políticos, estavam "bloqueando o país".

Entre os motivos que levaram à renúncia está a disputa entre o presidente e o líder da oposição, Evo Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS), representante dos setores produtores de coca.

Morales encabeça as manifestações para pressionar o governo a aprovar uma lei que aumentaria de 18% a 50% o valor dos impostos pagos por empresas multinacionais do setor de energia.

Gás natural

Um correspondente da BBC afirmou que grande parte da população está irritada ao perceber que a exploração das grandes reservas de gás natural não tem trazido benefícios ao público.

Pelo menos 26 empresas estrangeiras, entre elas a Petrobras, Total, British Gas, Exxon Mobil e Repsol podem ter seus contratos na Bolívia cancelados se a nova lei defendida pela oposição for aprovada.

A rejeição a Carlos Mesa partiu também de grupos empresariais, que o acusam de prejudicar a economia.

Na semana passada, manifestantes armaram barricadas em várias cidades bolivianas.

Mesa está no poder há 17 meses. Em seu discurso de renúncia, afirmou que no período em que esteve no poder a Bolívia teve pelo menos 820 protestos, que dificultaram o exercício do poder.

Cerca de mil pessoas se reuniram em frente ao palácio presidencial em La Paz para mostrar apoio ao presidente e pedir a ele que reconsiderasse sua decisão de renunciar.

Ele era vice de seu antecessor, Gonzalo Sanchez de Lozada, que fugiu do país durante uma onda de protestos que deixou pelo menos 56 mortos, em 2003.

Se o Congresso boliviano aceitar a renúncia de Mesa, o presidente do Senado, Hormando Vaca Díez, deve assumir o comando do país.

Carlos Mesa também sofreu fortes pressões dos líderes da província de Santa Cruz – responsável por 33% da economia boliviana e sede das principais companhias de petróleo, açúçar e soja.

Em janeiro, o presidente tentou costurar um acordo para que os moradores de Santa Cruz pudessem escolher o governador regional sem que fosse necessário uma emenda constitucional.

Assim mesmo, as lideranças políticas e empresariais da província afirmam que recebem muito pouco do governo central em troca da contribuição que Santa Cruz faz aos cofres públicos.

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