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ONU pede que mundo ajude Ásia por 'longo prazo' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a tragédia do maremoto no sul da Ásia e no oeste da África exige uma resposta "sem precedentes" do resto do mundo. Annan elogiou a reação da comunidade internacional, que já se comprometeu a doar mais de US$ 500 milhões aos países atingidos, mas cobrou um compromisso de "longo prazo" com a região. "Nós sabemos que o impacto será sentido por muito tempo", afirmou o secretário da ONU. O número de mortos em conseqüência das ondas gigantes que varreram a região já passa de 123 mil, mas esse número pode aumentar ainda mais à medida que pessoas tidas como desaparecidas são dadas como mortas. Milhares de pessoas não foram encontradas, e as agências humanitárias têm enfrentado problemas para prestar ajuda aos sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo no desastre. Ajuda paralisada Autoridades americanas informaram que o primeiro avião com suprimentos de emergência chegaram ao norte de Sumatra, na Indonésia, mas as equipes de resgate da província de Aceh, a região mais afetada, dizem que não têm como distribuí-los por causa do total colapso da infra-estrutura local. Um porta-voz do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em Aceh, John Budd, disse à BBC que a aeronave não chegou à província porque não pôde pousar no único aeroporto de Aceh que está em atividade. Segundo Budd, uma nova infra-estrutura terá de ser construída do zero para que meio milhão de pessoas tenham acesso a comida, água, abrigo e tratamento médico que precisam.
Um porta-voz da Presidência, por sua vez, disse que o governo também está tendo dificuldades para ajudar as vítimas porque as suas bases militares foram destruídas. Enquanto isso, soldados usam escavadeiras para abrir valas e enterrar os milhares de corpos, sem cerimônias funerárias. A Indonésia é o país com maior número de vítimas, com 79.940 já confirmadas. A escala da destruição é tamanha que as equipes de resgate não dão conta de recolher os corpos, que chegam aos rios e às praias de Banda Aceh, a capital da província de Aceh, levados pela maré. Dia de luto O Sri Lanka, segundo país com maior número de mortos, também está enfrentando problemas na distribuição de suprimentos doados pela comunidade internacional. Pelo menos 29 mil pessoas já são dadas como mortas no pequeno país asiático, e o governo deverá desistir de encontrar com vida outras 4,5 mil desaparecidas nos próximos dias. A presidente Chandrika Kumaratunga prometeu melhorar a coordenação das operações de emergência, que vêm sendo criticadas pela população. Aviões cheios de suprimentos não foram descarregados por falta de funcionários e espaço nos aeroportos, mas correspondentes da BBC na região informam que, apesar da demora, caminhões começaram a ser usados para escoar o material. Esta sexta-feira é dia de luto oficial no país e milhares de pessoas devem participar das cerimônias fúnebres na capital Colombo. Líderes budistas, cristãos, hindus e muçulmanos vão lembrar as pessoas que morreram na tragédia em um serviço religioso previsto para as 8h do horário de Brasília. Tailândia A Tailândia, por sua vez, está precisando de ajuda para identificar os seus mortos. Parte dos corpos estão em um estado tão avançado de decomposição que o reconhecimento se tornou quase impossível. Diante da situação, o governo tailandês apelou por sacos para embalar corpos, equipamento de refrigeração e especialistas para ajudar a identificar os mortos. O embaixador tailandês no Canadá, Stanchart Devahastin, também falou da necessidade de psicólogos para ajudarem as famílias a passar pelo trauma da perda de parentes. Já a Índia começou a dar como mortas milhares de pessoas desaparecidas desde o maremoto. Segundo a polícia das ilhas de Andaman e Nicobar, as regiões do país mais afetadas, o número de pessoas retornando às suas famílias é agora ínfimo. Acampamentos montados para sobreviventes estão com pouca água potável e sem saneamento básico adequado. Inicialmente o país estimava em 13 mil o número de mortos e desaparecidos. Nesta quinta-feira, milhares de pessoas saíram das áreas litorâneas do sul do país depois que autoridades no Estado de Tamil Nadu emitiram um alerta sobre a possibilidade de novas ondas gigantes. No entanto, o governo do país acabou voltando atrás e disse que o perigo não é iminente, mas que as pessoas precisam ficar em alerta máximo. Delegação americana Annan vai se reunir com o secretário de Estado americano, Colin Powell, nesta sexta-feira, para discutir a assistência internacional aos países atingidos pelo maremoto. Powell parte neste domingo para a Ásia, liderando uma delegação americana que contará com a presença de Jeb Bush, governador da Flórida e irmão do presidente George W. Bush.
Brasil Dados desencontrados das autoridades tailandesas estão dificultando a busca de informações sobre brasileiros na Tailândia. Segundo a Embaixada do Brasil no país, há dezenas de pessoas que viajaram para a Tailândia e não voltaram a entrar em contato com os parentes no Brasil depois do maremoto. Eles não aparecem na lista oficial tailandesa. A brasileira Joana Merlin-Scholtes está chefiando uma missão da ONU na Tailândia para coordenar a ajuda às vítimas das ondas gigantes. Foi na Tailândia, no balneário de Phuket, que a diplomata brasileira Lyz Amayo de Benedek D'Ávola e seu filho foram mortos pelo maremoto. O marido de Lyz, o italiano Antonio D'Ávola, que também estava no passeio, continua desaparecido. Pelo menos 50 famílias brasileiras telefonaram para a embaixada tentando encontrar parentes que viajaram de férias ao país. A catástrofe de domingo foi causada por um grande terremoto submarino (9 pontos na escala Richter), que gerou ondas gigantescas que varreram os litorais banhados pelo Oceano Índico. Os efeitos do terremoto, o quarto mais forte desde 1900, foram sentidos da Malásia até a África. |
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