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Líderes xiitas fazem apelo contra vinganças no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes xiitas fizeram apelos contra tentativas de vingança pelos atentados a bomba em duas cidades sagradas do Iraque, que deixaram mais de 60 mortos e cerca de 150 feridos no domingo. Acredita-se que os carros-bomba nas cidades de Najaf e Karbala tenham sido detonados por muçulmanos sunitas. Um dos mais respeitados clérigos xiitas do Iraque, Mohammed Bahr al-Uloum, afirmou que os fiéis dessa corrente do islã – que são maioria no Iraque – têm o firme compromisso de contribuir para que as eleições marcadas para 30 de janeiro transcorram pacificamente. Outro importante líder xiita, o grão-aiatolá Mohammed Said al-Hakim, também censurou os atentados de domingo e pediu que não haja revides. Segundo al-Hakim, o objetivo dos ataques é "incitar rebeliões sectárias", acrescentando que "Deus vai vingar e recompensar" as vítimas. 'Inferno' Um representante do movimento liderado pelo militante xiita e clérigo Moqtada al-Sadr disse que uma guerra civil seria um "inferno". A seis semanas do primeiro pleito nacional desde a invasão dos Estados Unidos, funcionários do governo provisório temem que a data seja marcada pela violência. Em meio à onda de violência, o respeitado político sunita Adnan Pachachi, que deve concorrer nas eleições de janeiro, voltou a pedir um "ligeiro adiamento" do pleito. "Acho que isso ajudaria a melhorar toda a situação de segurança", afirmou Pachachi. Ainda no domingo, três pessoas que trabalhavam para a comissão eleitoral do Iraque foram tiradas a força do carro em que estavam e fuziladas no centro de Bagdá. Um representante da comissão eleitoral, Farid Ayar, disse que a violência não vai emperrar o processo eleitoral. No entanto, ele acrescentou que a segurança vai ser redobrada para proteger os funcionários eleitorais. "Acho que a maioria dos iraquianos quer ir aos centros eleitorais e votar nos candidatos que prefere. Isso nos incentiva a completar o processo", disse Ayar. Já o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein fez um apelo da cela em que está preso para que todos os iraquianos boicotem as eleições e "confrontem os planos dos Estados Unidos de dividir o país por motivos sectários". Instabilidade No ataque em Karbala, pelo menos 13 pessoas morreram na explosão de um carro-bomba perto de um ponto de ônibus. Em Najaf, outra explosão de um carro-bomba deixou 48 mortos. O ataque ocorreu perto do principal santuário xiita, o mausoléu do imã Ali. Não há provas de que os ataques tenham sido coordenados, mas analistas acreditam que eles possam ter sido executados por grupos interessados em aumentar a instabilidade às vésperas das eleições. No ataque em Bagdá, os funcionários da comissão eleitoral estavam em um carro trafegando pela rua Haifa – uma via principal que vem sendo alvo de ataques de insurgentes sunitas – quando foram atacados. Segundo testemunhas, um grupo de homens atirou contra o carro, retirou os passageiros do veículo e os fuzilou. O carro teria sido incendiado depois do ataque. Reforços Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelo ataque, mas integrantes da comissão eleitoral acreditam que tenham sido os mesmos insurgentes que vêm realizando vários ataques contra a organização das eleições. De acordo com a agência de notícias Reuters, repórteres viram insurgentes armados com fuzis AK-47 e pistolas bloqueando a rua e revistando os carros que passavam. Segundo Farid Ayar, ninguém da diretoria está entre as vítimas. Os Estados Unidos estão aumentando a quantidade de soldados para o número recorde de 150 mil para tentar evitar uma escalada de violência antes das eleições e para garantir que o processo eleitoral siga em frente com relativa segurança. Porém, especialistas dizem que é praticamente impossível evitar ataques como o de domingo. |
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