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ONU deve ter pouca presença nas eleições iraquianas, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo interino do Iraque e a administração americana fizeram um apelo por uma maior participação da Organização das Nações Unidas (ONU) nas eleições marcadas para janeiro. A ONU, no entanto, alega ainda ser perigoso reforçar demais a sua presença no Iraque. O embaixador do país nas ONU, Samir Shakir Sumaifaie, criticou a organização na segunda-feira, por "freqüentemente enviar recomendações para o Iraque de fora do país", por intermédio de e-mails, videoconferências, telefonemas e cartas. "Faltam funcionários da ONU, mesmo no sul e no norte do Iraque, apesar da relativa estabilidade nessas regiões", disse Sumaifaie. Zona Verde Em um relatório para o Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que as equipes da organização estão confinadas à zona internacional, também conhecida como Zona Verde, em Bagdá. "Atividades fora da zona internacional permanecem extremamente arriscadas. As Nações Unidas e outras organizações internacionais continuam sendo alvos de alto valor e impacto", escreveu Annan. Recentemente, a equipe internacional da ONU no Iraque foi reforçada, e agora conta com 59 pessoas. Outros 25 trabalhadores eleitorais devem chegar ao país em breve. No entanto, o número está muito aquém da extensa presença e ambição que marcaram a situação da ONU no país antes de uma bomba arrasar o seu quartel-general em Bagdá, em agosto de 2003. Na ocasião, 22 pessoas morreram, entre elas o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, representantes especial das Nações Unidas no país. Medo da violência O apelo dos americanos e iraquianos são mais um sinal do grande temor de que as eleições do dia 30 de janeiro sejam marcadas pela violência, e não se transformem em um emblema para um governo totalmente constitucional – como pretendem os seus organizadores. O papel da ONU nas eleições já foi muito além da orientação que havia sido planejada para ajudar na criação da Comissão Eleitoral iraquiana. O atual representante especial da ONU no país, Ashraf Jehangir Qazi, tem mantido contato constante com grupos políticos para articular uma resolução pacífica e o desenvolvimento da política. Uma forte presença da ONU também seria importante simbolicamente. O relatório de Annan é um corolário dos problemas enfrentados pelas Nações Unidas, embora tenha sido escrito em linguagem diplomática. O selo de aprovação da ONU nas eleições vai ser vital para que elas sejam validadas internacionalmente. "A atual situação de segurança no país permanece um grande desafio", diz a primeira frase do documento. Um problema específico ajuda a ilustrar as dificuldades da ONU. No início do ano, quando o Conselho de Segurança aprovou o processo político e a extensão do mandato para as tropas estrangeiras até o fim do ano que vem, um apelo foi feito para que tropas especiais fizessem a segurança dos funcionários da ONU. Somente agora um país, cujo nome não foi revelado, aprovou o destacamento de 135 homens para essa função. A unidade está sendo treinada antes de ser enviada a Bagdá. Otimismo Num tom mais otimista, o relatório diz que a Comissão Eleitoral "se firmou como uma instituição com credibilidade e está desempenhando as suas funções de maneira efetiva". "Estou otimista sobre a vontade e a capacidade do governo interino e do povo iraquiano de negociar com sucesso a transição para um Iraque unido, democrático e próspero", afirmou Ashraf Qazi ao Conselho de Segurança. "Apesar dos atuais problemas, o Iraque dispõe dos capitais humano e material para se reconstruir." O embaixador iraquiano na ONU, Sumaifaie, mostrou-se igualmente otimista. "Não temos motivos para acreditar que aqueles que pedem um boicote das eleições serão apoiados por segmentos significativos da população iraquiana." "Dada a oportunidade, os iraquianos vão comparecer em grandes números para participar das primeiras eleições livres de suas vidas", completou Sumaifaie. No entanto, parece que eles terão de fazê-lo sem muita ajuda direta da ONU. E ainda não se sabe se as eleições vão abranger todas as partes do Iraque. |
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