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Sudão rejeita acusação de genocídio feita pelos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores do Sudão rejeitou uma declaração do secretário de Estado americano, Colin Powell, que descreveu as mortes que ocorrem em Darfur como genocídio. Najib Abdul Wahab disse que o governo cometeu erros, "mas a situação não é equivalente a genocídio". Ele disse à BBC que nem a União Européia, nem a União Africana, usou palavras fortes como essa. Os Estados Unidos querem que a ONU aprove uma resolução que ameace o Sudão com sanções. Atrocidades A resolução também pedirá que a União Africana envie mais monitores a Darfur. Cerca de 50 mil pessoas morreram e um milhão teve que deixar suas casas durante o conflito em Darfur entre forças do governo e grupos rebeldes, iniciado no ano passado. Os Estados Unidos dizem que o Sudão não está conseguindo evitar atrocidades contra civis cometidas pela milícia pró-governo Janjaweed. O apelo por mais monitores recebeu apoio amplo na reunião de quinta-feira do Conselho de Segurança da ONU, mas a China, o Paquistão e a Argélia expressaram reservas sobre a necessidade de sanções. Powell baseou seu veredito de que um genocídio está ocorrendo na região de Darfur em entrevistas com mais de 1,8 mil refugiados que fugiram da região para o vizinho Chade. Ele disse ao Comitê de Relações Exteriores do Senado americano: "Nós concluímos que foi cometido um genocídio em Darfur, e que o governo do Sudão e a milícia Janjaweed são responsáveis, e que genocídio ainda pode estar ocorrendo". Violência Os testemunhos reunidos pelos investigadores do Departamento de Estado americano mostraram um padrão de violência coordenado, e não aleatório, segundo Powell. Abdul Wahab descreveu o conflito de maneira diferente. Ele disse que é um confronto grave entre agricultores e pecuaristas, que o governo não pôde resolver porque a infra-estrutura em Darfur está prejudicada por grupos rebeldes. Uma delegação de parlamentares do Sudão acusou os Estados Unidos de estarem liderando uma campanha de ódio em todo o mundo contra o governo de seu país. Os Estados Unidos querem que o Conselho de Segurança da ONU vote a nova resolução na próxima semana. O rascunho da resolução americana diz que o Sudão não cumpriu com a resolução anterior, aprovada em julho, que pedia que a milícia Janjaweed fosse desarmada. Petróleo Caso um segundo prazo não seja cumprido, sanções podem ser introduzidas "inclusive no setor de petróleo". O país produz cerca de 320 mil barris de petróleo por dia. A resolução também pede que o número de tropas africanas no país seja aumentado, que sejam feitos vôos internacionais sobre Darfur para monitorar o que está acontecendo e que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, avalie se atos de genocídio foram cometidos. A correspondente da BBC Jill McGivering diz que o uso da palavra genocídio não obriga legalmente os Estados Unidos a agirem, mas aumenta as pressões moral e política sobre o Sudão. Há dez anos a ONU foi acusada de não conseguir interromper o genocídio em Ruanda. |
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