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Governo do Iraque dá 'ultimato de horas' a milícia xiita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo do Iraque anunciou nesta quinta-feira um "ultimato de algumas horas" para a milícia do clérigo xiita Moqtada Al-Sadr abandonar as armas e deixar os locais sagrados de Najaf. Se o prazo não for cumprido, segundo o ministro de Estado do Iraque, Kasim Daoud, o chamado Exército Mehdi vai "sofrer as conseqüências de uma ação militar". Enquanto isso, em Bagdá, forças americanas lançaram uma "grande ofensiva" contra uma área xiita considerada um reduto de Al-Sadr. Os americanos entraram no subúrbio de Sadr City pedindo que os seguidores do clérigo se rendam. O clérigo xiita já afirmou que daria fim ao levante caso as forças iraquianas e americanas concordem em um cessar-fogo. Al-Sadr afirmou que os seus guerrilheiros só entregariam as armas e deixariam o santuário do Imã Ali, em Najaf, depois que os confrontos forem suspensos. Garantias O cheque Hassan Al-Zerkani, um dos porta-vozes do clérigo, afirmou à BBC que a oferta é genuína, mas que as garantias têm que ser dadas "pelos ocupadores, não pelos ocupados". Ele disse ainda serem necessárias garantias de que os americanos não iriam perseguir o Exército Mehdi. Por outro lado, um grupo de militantes iraquianos afirmou ter capturado o jornalista americano Micah Garen e ameaça matá-lo se as forças americanas permanecerem no Iraque. O ministro da Defesa do Iraque, Hazim Al-Shalaan, disse que Al-Sadr e os seus seguidores seriam beneficiados por uma anistia, mas apenas depois de terminar a revolta. Batalha Apesar das propostas, a batalha continua em Najaf, e o Exército Mehdi continua cercado nos arredores do mausoléu do Imã Ali. Em Sadr City, os soldados americanos, com a cobertura de tanques, já teriam avançado mais de dois quilômetros subúrbio adentro. Segundo os americanos, pelo menos 50 iraquianos teriam morrido nos combates, um tanque teria ficado bastante danificado e um soldado dos Estados Unidos teria sido gravemente ferido. Um coronel americano teria afirmado que esta é a primeira vez que os seguidores de Al-Sadr estão sendo obrigados a lutar em vários pontos do bairro xiita. A correspondente da BBC na cidade sagrada xiita de Najaf, Kylie Morris, afirmou que não há sinais de arrefecimento no conflito. 'Mestre do blefe' Ela afirmou que a polícia continua aconselhando os moradores a ficarem em casa e que os tiroteios continuaram na madrugada desta quinta-feira. Segundo Morris, existem dúvidas sobre a sinceridade da proposta de Al-Sadr, já que, no passado, ele se provou "um mestre do blefe e de atitudes temerárias". A rede de televisão Al-Jazeera transmitiu um vídeo em que um homem, supostamente o jornalista Garen, aparece ajoelhado em frente a um grupo de cinco mascarados armados com rifles. O grupo seria a Brigada dos Mártires, e Garen, o fundador e diretor da Four Corners Media, teria sido seqüestrado na sexta-feira ao lado do seu intérprete iraquiano na cidade de Nassíria. As primeiras indicações de que Al-Sadr estaria disposto a se render surgiram na quarta-feira. Uma carta atribuída ao clérigo foi lida na Conferência Nacional Iraquiana dizendo que Al-Sadr aceitava os termos propostos pelos delegados do Iraque para pôr fim à revolta na cidade sagrada. Segundo a carta, Al-Sadr teria aceitado entregar as armas do Exército Mehdi e participar do processo político no Iraque em troca de uma anistia. |
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