BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 30 de junho, 2004 - 15h20 GMT (12h20 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Powell exige que Sudão contenha milícias árabes
Refugiado de Darfur
Muitos refugiados de Darfur buscam abrigo no vizinho Chade
O secretário de Estado Americano, Colin Powell, disse que o governo do Sudão deve agir para que acabem os ataques de milícias árabes na região de Darfur, oeste do país.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) pode agir se a violência na região, onde cerca de um milhão de pessoas já foram expulsas de suas casas, não cessar, disse Powell na capital sudanesa, Cartum.

Powell está visitando o Sudão para ver por si mesmo a crise que, segundo ele, pode se transformar em um genocídio.

O secretário geral da ONU, Kofi Annan, está também no Sudão para discutir a crise em Darfur.

Duas décadas

O governo sudanês prometeu uma série de novas medidas para tentar resolver a crise.

O ministro das Relações Exteriores do Sudão, Mustafa Ismail, disse em uma entrevista coletiva conjunta com Powell que o governo do país admite a existência de um “problema”, mas sugeriu que ele teria sido exagerado.

“Acreditamos que não exista fome ou epidemia, mas isso não significa que não exista um problema humano que necessita ser remediado”, disse ele na terça-feira.

Ismail falou que o Sudão vai revelar uma nova série de medidas até o final da visita de Powell, o mais alto funcionário do governo americano a visitar o país em duas décadas.

Conselho de Segurança

Powell se encontrou com o presidente sudanês Omar Al-Bashir após a sua chegada na terça-feira, munido de fotografias de satélite de vilas arruinadas na região de Darfur.

Ele disse posteriormente ter feito três exigências para o governo:

• O Sudão deve conter as milícias árabes em Darfur que os observadores acusam de serem patrocinadas pelo governo.

• Agências humanitárias devem ter acesso total à região.

• O governo deve abrir negociações com os dois principais movimentos rebeldes de Darfur.

“A menos que existam progressos em todas essas três áreas, pode ser que a comunidade internacional comece a julgar outras medidas, incluindo a ação do Conselho de Segurança.”

Hora de agir

Mais cedo, ele tinha dito que o número de vítimas fatais em Darfur parecia “ter subido significativamente”.

Entre 300 mil e um milhão de pessoas podem ser afligidas pela fome na região, segundo o chefe da Agência Americana para Ajuda Internacional, disse Andrew Natsios.

Alguns funcionários de agências humanitárias expressaram a preocupação de que Powell fosse apresentado a uma “realidade falsa”.

Powell, entretanto, disse ser capaz de dizer se as pessoas estariam “constrangidas de falar”.

Ele esteve em um campo de refugiados para ver por si mesmo a situação da população. Seu comboio foi cercado por uma multidão ao entrar no campo.

“Vemos indicadores e elementos que nos levam a concluir que pode existir um genocídio, embora ele ainda não exista” disse Powell na Turquia, antes de rumar para Cartum.

“Podemos encontrar o melhor nome para isso mais tarde. Agora é hora de agirmos.”

Janjaweed

Annan se recusou a usar o termo genocídio, o que implicaria em uma obrigação legal da comunidade internacional de agir.

Ele também alertou que o Conselho de Segurança pode agir se o Sudão não tratar da crise deflagrada em fevereiro do ano passado, quando dois grupos rebeldes pegaram em armas contra o governo, exigindo mais direitos para a população negra.

Se o Sudão não proteger a população de Darfur, “a comunidade internacional deve fazer algo a respeito”, ele disse enquanto visitava o Qatar na terça-feira.

A ONU descreveu Darfur como a “pior crise humana do mundo”.

Estima-se que cerca de 10 mil pessoas foram mortas e um cessar-fogo assinado há mais de dois meses e meio vem sendo violado quase diariamente por ambos os lados.

O governo nega estar apoiando a milícia Janjaweed, acusada de liderar os ataques contra negros. O presidente Bashir ordenou que a milícia fosse desarmada e processada.

O correspondente da BBC em Cartum, Alfred Taban, disse que as agências humanitárias e a comunidade negra não acreditam que o exército deseje acabar com os Jajaweed (traduzida literalmente como “homens malignos, a cavalo e armados”) porque eles têm sido efetivos contra os rebeldes em Darfur.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade