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Irlanda fecha mercado para açougueiros brasileiros | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os açougueiros brasileiros vão perder um filão no mercado de trabalho irlandês com a expansão da União Européia. Populares pelas suas habilidades no abate e ao desossar a carne, eles são hoje maioria entre os estrangeiros empregados pela Kepak, o maior frigorífico do país. Mas, com a perspectiva da entrada de mais dez países na União Européia, a Irlanda deixou de emitir permissões de trabalho para estrangeiros de fora do bloco. "Temos uma obrigação com o mercado ampliado da União Européia", afirma Michael Cunnife, do Ministério de Empreendimentos e Trabalho. Prioridade O país ocupa a presidência da UE e foi o único do bloco a se abrir completamente aos trabalhadores dos novos membros. Cunnife assegura, no entanto, que os açougueiros brasileiros que já estão na Irlanda – há 350 deles apenas na Kepak – terão as suas licenças de trabalho renovadas. Por outro lado, ele deixa claro que a partir de agora as empresas só poderão contratar brasileiros se não conseguirem preencher as vagas com os cidadãos da União Européia e da Comunidade Econômica da Europa, que, além dos 25 países que farão parte do bloco, inclui Noruega, Islândia, Suíça e Lichtenstein. "Nós já dissemos às empresas que elas devem dar prioridade a cidadãos da União Européia e esperamos que elas façam esforços genuínos nesse sentido." Keyla Graham, da Kepak, diz que a mudança de política do governo irlandês vai frustrar os planos de muita gente no Brasil. "Há três mil pessoas na lista de espera só na agência de recrutamento com quem a gente trabalha no Brasil", diz Keyla, que é brasileira. "Trabalho puxado" A Kepak diz pagar aos seus açougueiros – ou faqueiros, como preferem ser chamados os brasileiros da fábrica – entre R$ 3.360 a R$ 4.600 por mês. "O dinheiro é três vezes mais do que no Brasil. Mas lá eu trabalhava num açougue que desossa 10 vacas por dia. Enquanto aqui desossa 200 bois talvez. É bem parecido o trabalho, só que é mais puxado", diz o goiano Divino Miranda. Com esses salários, eles geralmente mandam dinheiro para a família no Brasil ou guardam para comprar uma casa ou abrir no negócio. "Muitos conseguem comprar casa própria no Brasil após um ano e meio, dois anos", diz Keyla César Graham, responsável pela contratação de estrangeiros na Kepak. Jessé de Moreira Neves foi um dos que aproveitaram a bonança e, depois de três anos na Irlanda, espera voltar para casa no final do ano com dinheiro suficiente para abrir um negócio. “Eu vim para a Irlanda porque tinha assim um sonho de ter um trabalho diferente. No Brasil, a gente vive. Mas para conseguir é mais devagar. Aqui na Irlanda tem um pouco de velocidade a mais. Vim aqui e consegui esse objetivo graças a Deus." "Vou embora porque já tenho trabalho no Brasil e não posso deixar. E casar também - tenho uma linda noiva no Brasil e não posso ficar longe dela." |
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