|
Historiador polonês prevê extinção do 'homo sovieticus' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ampliação da União Européia vai ajudar a acabar de vez com a mentalidade que se desenvolveu no Leste Europeu durante o comunismo, na opinião do historiador polonês Jakub Basista, da Universidade de Jagiellon, em Cracóvia. Para Basista, a falta de iniciativa individual, a expectativa de que o Estado resolva todos os seus problemas e outras características atribuídas ao chamado homo sovieticus – conceito desenvolvido pelo cientista político polonês Jerzy Kosinski para designar os indivíduos que viveram sob os regimes totalitários de modelo soviético – terão cada vez menos lugar no ambiente mais aberto e competitivo que a entrada no bloco vai proporcionar. “Basicamente todo mundo que vive na Polônia tem um homo sovieticus, menor ou maior, dentro de si.” “Precisamos mudar a mentalidade das pessoas, elas têm que olhar para si mesmas como gente capaz de fazer algo sozinhas, não esperar por um ministro ou autoridade local. As pessoas precisam se conscientizar de que depende delas (melhorar o país), isso é algo que o comunismo nos roubou.” Expectativas Segundo o historiador, muitos cidadãos poloneses ainda têm a expectativa de que deveriam ter um emprego garantido pelo Estado e relutam em assumir a responsabilidade pelas próprias vidas. Basista, no entanto, acredita que a União Européia vai “definitivamente” acelerar o processo de deixar essa mentalidade para trás – o que, segundo ele, já está acontecendo. “Você já vê isso hoje - 200 mil jovens do país estão procurando emprego na Grã-Bretanha.” Para o especialista, no entanto, a mudança deve também partir do governo, que ainda reluta em delegar poder. "Alguns governos tentaram, mas o processo de centralização continua voltando." Anos perdidos O historiador considera os 50 anos em que a Polônia ficou sob o jugo comunista “perdidos” em termos culturais e econômicos. “Não acho que tudo o que aconteceu no comunismo foi ruim, mas quando você compara o padrão de vida, o desenvolvimento, a mentalidade, a iniciativa das pessoas, a Polônia está atrás da Europa Ocidental." Ele explica que até a Segunda Guerra Mundial, a Polônia se desenvolvia bem, com um nível de vida na Polônia próximo ao da Espanha. Hoje, a renda per capita da Polônia é menos de um terço do que na Espanha, embora os dois países tenham populações semelhantes. Basista diz que a Polônia discorda da avaliação de que, com a entrada na União Européia, o país esteja voltando à Europa. “Do ponto de vista geográfico, a Polônia sempre esteve na Europa e, em termos culturais, desde o início do século 20, faz parte da, digamos, cultura européia latina." No entanto, o historiador considera a entrada simbólica porque acaba de vez, pelo menos para os oito países do Leste Europeu que vão entrar no bloco, com o isolamento criado pela Cortina de Ferro, fronteira imaginária que dividiu a Europa capitalista da comunista durante a Guerra Fria. "Estamos voltando às raízes, nós somos só mais um Estado entre os vários da Europa e nós precisamos caminhar juntos para nos desenvolvermos juntos, não atrás de uma Cortina de Ferro, que dividiu as pessoas entre aqueles que podiam estudar e aqueles que não podiam, os que podiam trabalhar e os que não.” Mas ele diz que ainda levará algum tempo para que essa separação desapareça completamente "na cabeça das pessoas". “Isso não vai acabar por pelo menos mais uma geração, uma geração e meia. O comunismo era um sistema devastador e o pior estrago foi feito dentro de nossos cérebros.” |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||