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ONU, EUA e UE 'desapontados' com referendo no Chipre | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ampla rejeição de gregos cipriotas ao plano da ONU de reunificação do Chipre foi recebida com desapontamento em vários cantos do mundo. "Uma oportunidade única e histórica de resolver o problema do Chipre foi perdida", disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em uma nota. Ele disse que Chipre permancerá "dividido e militarizado" quando se juntar à União Européia no dia 1º de maio. Ambos os lados, turco e greco-cipriotas, foram as urnas no sábado para dar o seu parecer sobre a proposta de reunificação. Oportunidade perdida Mais de três quartos dos greco-cipriotas votaram "não". Os turco-cipriotas, em contraste, endossaram o plano com uma maioria de 65%. Os Estados Unidos disseram estar "desapontados" com o resultado, que seria um "revés para as esperanças daqueles na ilha que votaram pelo acordo e da A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, disse ter lamentado a rejeição greco-cipriota. Com o resultado do referendo, as leis e benefícios da UE só serão aplicados na parte sul da ilha, habitada pelos cidadãos de origem grega. Em uma declaração, a Comissão disse que "uma oportunidade única para se chegar a uma solução no Chipre foi perdida". Ela congratulou os turco-cipriotas pelo apoio ao plano e prometeu "considerar caminhos para promover o desenvolvimento na parte norte do Chipre". Margem maior A rejeição greco-cipriota não foi uma surpresa, mas a margem foi bem maior do que a esperada. Diplomatas mantinham esperanças de que o plano fosse rejeitado por uma margem pequena, para permitir que a mesma proposta fosse votada novamente em questão de poucos meses. Mas o resultado descarta a hipótese da realização de uma nova votação num curto prazo, e fez fracassar a iniciativa internacional para levar paz à ilha, dividida desde 1974, quando foi invadida por tropas turcas. O presidente greco-cipriota, Tassos Papadopoulos, que queria a rejeição do plano, disse que continua empenhado em tentar um acordo com o norte. "O resultado de hoje deve funcionar como um catalisador para a reunificação, e não como uma desculpa para uma divisão maior", disse ele. 'Fúteis tentativas' Mas o líder turco-cipriota Rauf Denktash - um ferrenho opositor ao plano da ONU -pediu que a comunidade internacional deixasse de pressionar pela unificação dos dois lados. "Não deve haver incertezas por causa das fúteis tentativas de forçar lados incompatíveis a viverem juntos", disse ele. Seu primeiro-ministro, Mehmet Ali Talat, defensor do plano, pediu que a ONU e a União Européia estudem medidas para lidar com a ironia da situação, já que o lado que rejeitou o plano é aquele que vai entrar na União Européia em uma semana. Talat disse que o isolamento da parte norte do Chipre tem que acabar ou ser amortizado de alguma forma. O ministro do Exterior da Turquia, Abdullah Gul, disse que "os embargos (contra o norte do Chipre) têm que ser suspensos, o isolamento tem que acabar". Com o resultado do referendo, a Turquia não deve retirar seus 30 mil soldados na ilha, segundo o ministro. O plano, elaborado pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, previa uma estrutura federal aberta para a ilha. Vários refugiados greco-cipriotas, que tiveram que fugir para o sul durante a invasão turca, poderiam voltar a suas casas e recuperar o direito sobre as terras perdidas. Mas o lado grego estava insatisfeito, dizendo que o plano limitava o direito ao retorno e permitia que milhares de colonos turcos, assentados depois de 1974, pudessem permanecer. |
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