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Perguntas e respostas: a reunificação de Chipre | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A população de Chipre deve decidir neste dia 24 de abril se aprova o plano do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para reunificar a ilha. Caso o plano seja aprovado por grego-cipriotas e turco-cipriotas, o país pode entrar unificado na União Européia, no dia 1 de maio. Caso o plano seja rejeitado, apenas o sul da ilha, governado pelos grego-cipriotas, fará parte do bloco. Tire aqui suas dúvidas sobre o processo de paz no país. Quem concordou com o plano de paz? Não houve acordo entre os líderes da ilha sobre o conteúdo do plano. O líder turco-cipriota, Rauf Denktash, nem mesmo compareceu à rodada final de negociações, na Suíça. Mas os dois lados deram permissão para que Kofi Annan "completasse os buracos" do plano, o que significa fazer suas próprias propostas nas áreas em que não houve acordo. Foi o que Annan fez. O plano que está sendo colocado em votação para a população é um compromisso entre os desejos de grego-cipriotas, turco-cupriotas e dos governos grego e turco. Nenhum deles obteve exatamente o que queria, mas Annan insiste que tentou balancear as exigências de todos. A população deve aceitar o plano? O dia de votação é 24 de abril e a disputa pode ser acirrada. Muitos cipriotas querem a paz, mas não a qualquer custo. Do lado grego, acredita-se que muitos eleitores acreditam que Annan fez concessões demais ao lado turco. Milhares de refugiados grego-cipriotas, por exemplo, não poderão obter suas casas do lado turco de volta. E as tropas turcas poderão ficar na ilha indefinidamente. Os turco-cipriotas devem aceitar melhor o plano, já que os benefícios da entrada para a União Européia podem ser enormes, após décadas vivendo em um país que não é reconhecido pela comunidade internacional. Os níveis de vida e oportunidades de trabalho devem aumentar muito caso os turcos digam "sim" no referendo. Mas o líder Rauf Denktash continua contra a versão final do plano, enquanto os grego-cipriotas também reclamam e ambos recomendam que a população vote "não". Ainda não está claro quantos cipriotas irão seguir seus líderes ou quantos vão seguir o que Annan chamou de "sua melhor chance de obter a paz durante anos". E se os eleitores rejeitarem o plano? Caso isso aconteça, Chipre entrará para a União Européia como previsto, em 1 de maio, mas a filiação se aplicará apenas para a parte grega da ilha, que é reconhecida pela comunidade internacional. As regras e benefícios da União Européia não se aplicarão ao norte. Como o processo de paz chegou tão longe? A proximidade da entrada de Chipre no bloco criou um momento propício para o progresso das negociações. Annan, que estava por trás da fracassada tentativa de acordo no ano passado, decidiu tentar novamente. Ele convidou os líderes grego e turco-ciptriotas para tentar recomeçar as negociações em Nova York, em fevereiro deste ano. Após vários dias de intensas negociações, Annan conseguiu um acordo estabelecendo que ele poderia escrever o plano de paz, caso não houvesse acordo. O que consta do plano de paz? A idéia é reunificar Chipre formalmente, mas administrar a ilha como dois distritos separados, seguindo o modelo da Suíça. O acordo significaria que a comunidade turca teria que abrir mão de parte do território que hoje detém e que muitos - mas não todos - grego-cipriotas poderiam voltar para as casas que tiveram que abandonar nos anos 70. A presidência de Chipre, altamente simbólica, iria ser alternada pelas duas comunidades e uma desmilitarização em larga-escala iria acontecer, apesar da presença de tropas turcas ser mantida por tempo indeterminado na ilha. O plano de Annan inclui uma redução de 7% na terra sob domínio turco-cipriota, que cairia para 29% do território. O número de grego-cipriotas que poderiam voltar para suas casas não poderia passar de 18% da população turco-cipriota, permitindo que milhares voltem mas deixando outros milhares refugiados. Como o equilíbrio étnico das comunidades seria afetado? Dos 800 mil cipriotas, dois terços são gregos e ocupam cerca de dois terços da ilha. A comunidade turca, mas pobre, quer evitar que uma grande quantidade de gregos, mais ricos, voltem para as casas que costumavam ocupar. As leis da União Européia determinam que os cidadãos teriam o direito de se mover livremente pela ilha. A Turquia quer que a lei restrinja o direito de residência e investimento no norte. A vida já mudou na ilha? No ano passado, eleitores grego-cipriotas derrubaram o líder Glafcos Clerides, elegendo Tassos Papadopoulos, que adotava uma linha bem mais dura na questão das moradias. E no norte, as eleições de dezembro deram um impulso nos partidos pró-paz, mas a vitória não foi esmagadora. A maioria dos cipriotas teve a primeira chance de ver o outro lado da ilha dividida depois de abril de 2003, quando as restrições para viagens foram amenizadas, depois de 29 anos de total divisão. Desde então, milhares cruzaram a fronteira diariamente, e encontros emocionados entre antigos amigos e vizinhos ajudaram a derrubar alguns preconceitos. Há quanto tempo a ilha está dividida? Cipre foi dividido em 1974, quando um golpe apoiado pela Grécia fez com que a Turquia invadisse o norte da ilha. Milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas e muitas nunca mais voltaram. A República Turca do Norte do Chipre foi declarada em 1983, mas nunca foi reconhecida por nenhum outro país fora a Turquia. Desde 1974, os grego e turco-cipriotas vivem separados pela chamada "linha verde", patrulhada pela ONU. Mais de 30 mil soldados turcos ainda estão na ilha e Nicósia é a última capiral dividida da Europa. |
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