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Polônia é responsável por maior fronteira da 'nova Europa' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Às vésperas de a Polônia se tornar uma das novas fronteiras da União Européia, o general Henryk Minkiewicz, responsável por um dos postos de controle com a República de Belarus, até se dava o luxo de brincar com os novos equipamentos fornecidos pelo bloco. Diante da reportagem, ela apaga as luzes do posto e finge ser um imigrante clandestino que tenta entrar no país para mostrar a eficiência dos óculos de visão noturna. Antes relativamente aberta, a fronteira entre a Polônia e a Belarus está agora protegida por um aparato de segurança sofisticado e moderno: um sistema de impressões digitais controlado via satélite, câmeras panorâmicas por todos os lados e alojamentos para imigrantes ilegais. É com base nessas instalações, em boa parte financiadas pela UE, que o general Minkiewicz diz estar pronto para assumir a “grande responsabilidade” de ser a nova fronteira externa da UE – que faz divisa com Belarus, Ucrânia, Lituânia e Kaliningrado ao longo de 1.280 km. “Tudo está pronto, só estamos esperando uma grande aquisição, equipamentos para checar a carga de caminhões”, afirmou o militar. "Todas as exigências da União Européia já foram introduzidas." 'Fronteira dupla' Mas a própria União Européia desconfia da eficácia da Polônia no seu novo papel e vai manter os controles de fronteira na Alemanha por tempo indefinido. Os poloneses só precisarão apresentar documentos de identidade, mas estrangeiros vindos da Polônia ainda terão de passar pelo controle de passaportes. Será assim porque a Polônia não faz parte da área Schengen (área de livre circulação que inclui 13 dos atuais 15 membros da UE) e não fará até que a Comissão Européia (órgão executivo da UE) decidir que o controle é suficientemente bom para dispensar os controles alemães. "Será uma barreira dupla", diz um funcionário da Comissão Européia. "A fronteira polonesa é muito permeável, há postos de controles demais." Além disso, diz o funcionário, há temores em relação à corrupção de guardas na fronteira. "Os salários são baixos demais." A principal preocupação da União Européia seria com os asiáticos que usam a Polônia para entrar na Europa. “Grandes números de paquistaneses, bangladeshis, de pessoas das repúblicas da Ásia Central passam por lá porque traficantes de seres humanos acham mais fácil agir na fronteira da Polônia do que na da Áustria”, afirma o historiador Jakub Basista, da Universidade de Jallonian, em Cracóvia. Os mais afetados pelos controles, no entanto, são os cidadãos da Belarus e da Ucrânia, vizinhos imediatos com quem a Polônia mantêm estreitas relações políticas e econômicas, e, de quem, desde o final do ano passado, o país passou a exigir vistos. Da mesma forma como poloneses iam – e ainda vão – trabalhar na Alemanha, para eles, a Polônia se tornou o novo oeste. “Passo 20 dias aqui (Polônia) e dez na Belarus”, disse Alexander, que preferiu não dizer o seu sobrenome, na fila para atravessar a fronteira de volta para a Belorus. “Aqui é o paraíso para eles”, diz uma funcionária da administração da fronteira. |
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