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Expansão dobra desigualdade social na União Européia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A entrada de dez países na União Européia vai aumentar a desigualdade dentro do bloco, praticamente dobrando a diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Hoje o londrino médio, o cidadão mais rico da União Européia, tem um poder de consumo cinco vezes maior do que os cidadãos mais pobres do bloco, concentrados nas regiões da Extremadura, no sul da Espanha, Dytiki Elada e Anatoliki Makedonia, na Grécia. A partir do dia 1º de maio, no entanto, essas três regiões, cujo índice de padrão de vida é a metade da média do bloco, vão perder a posição de mais pobres para Lubelskie e Podkarpackie, ambas na Polônia. O polonês típico dessas áreas, essencialmente rurais, tem, em média, um poder de compra equivalente a menos de um terço da média européia – e um nove avós da renda do abastado londrino. De uma forma geral, os dez países que estão entrando na União Européia estão atrás dos atuais membros. Nove em cada dez regiões deles têm índices de padrão de vida inferiores à média do bloco e, somados, os seus PIBs (Produto Interno Bruto) não chegam ao da Holanda. Pobreza no campo A Polônia lidera o ranking de pobreza da nova União Européia – seis das dez regiões mais pobres a partir de maio estão em seu território, principalmente nas áreas rurais. “O que é característico da Polônia é que muita pobreza acontece nas áreas rurais, não temos favelas e miséria urbana como América Latina”, afirma Jacek Kucharczyk, do Instituto de Assuntos Públicos, em Varsóvia. Kucharczyk explica que, na transição do comunismo para o capitalismo, nos anos 90, não se investiu para transformar as ineficientes fazendas estatais em propriedades produtivas e viáveis. “Muito dinheiro foi investido para fazer a transição na indústria, mas não no campo.” Rural Embora as cidades – que cobrem apenas 6% do território polonês – tenham se desenvolvido muito mais do que as áreas rurais, não houve uma migração significativa da população que vivia no campo para as áreas urbanas, o que levou a uma alta do desemprego rural. Hoje, 40% da população polonesa ainda vive no campo. Franciszek Kozikowski e Antoni Wrocenski, de 55 e 70 anos, eram tratoristas em uma antiga fazenda estatal em Podlaskie, no norte da Polônia. Eles estão entre as cem pessoas que trabalhavam na fazenda e continuam a viver no local, embora a fazenda tenha sido desativada em 1993. Dos cem trabalhadores, apenas 15 foram empregados pelo atual proprietário, incluindo Frantisek. Antoni, embora já tenha se aposentado, ainda busca trabalho para tentar complementar sua renda, mas diz que é impossível encontrar. Boa parte dos agricultores que permaneceu no campo passou a produzir para a sua própria subsistência em suas pequenas propriedades, e o setor ficou para trás em produtividade em relação à indústria do país e ao resto da agricultura européia. Embora tenha 27% da força de trabalho, o setor agrícola produz menos de 5% do PIB polonês. “Sobre uma coisa, não há dúvida: há gente demais tentando viver da agricultura, e as fazendas são pequenas demais na Polônia. Esse é o modelo tradicional que lentamente vai ter que mudar”, afirma o historiador Jakub Basista, da Universidade de Jagiellon, em Cracóvia. Jacek Kucharczyk, do Instituto de Assuntos Públicos, diz que com a entrada no bloco europeu, o setor agrícola polonês terá de se tornar mais orientado para o mercado e se modernizar. O risco é que gente como Franciszek e Antoni fique ainda mais para trás nesse processo. |
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