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Cidade teme crise social com fechamento de 'Chernobyl lituana' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A pizzaria Tip Top, em Visaginas, na Lituânia, oferece no cardápio as pizzas “Atômica” e “Radioativa”. A brincadeira se refere à usina nuclear de Ignalina, que deu origem à cidade. Visaginas foi fundada em 1975 para abrigar os engenheiros que construíram a usina. Hoje, 90% dos 3.600 funcionários da empresa vivem em Visaginas. O problema é que Ignalina possui os mesmos tipos de reatores da usina de Chernobyl, e seu fechamento foi uma condição da União Européia para que a Lituânia fosse aceita no bloco. Agora os moradores da cidade temem um desastre social.
“Os negócios podem estar separados, mas 80% deles existem em função da usina nuclear.” O fechamento do primeiro reator deverá ser concluído até o fim deste ano e irá provocar a demissão de cerca de 300 trabalhadores. O segundo reator deverá ser fechado até 2009. “Os pais da minha melhor amiga trabalham na usina e eles não sabem o que vão fazer depois do fechament”, diz Michaela, de 18 anos. Mesmo o fato de seus pais não trabalharem em Ignalina não vai impedir que Michaela sofra com os efeitos de seu desativamento. “Minha mãe tem uma loja e ela vai perder dinheiro porque muita gente terá de deixar a cidade.” Um futuro diferente? A Lituânia está recebendo apoio financeiro de cerca de 900 milhões de euros para arcar com os custos do fechamento da usina. Mas Olesia Strokun diz que isso não inclui projetos para revitalizar a economia de Visaginas. “Para isso, nós vamos nos candidatar para receber dinheiro dos Fundos Estruturais Europeus.” “Uma das idéias é construir um parque industrial, fornecendo mil empregos novos”, diz ela.
“Nós temos um problema adicional: nossos moradores pertencem à minoria russa e nem todos estão bem integrados à sociedade lituana”, afirma a funcionária da prefeitura. “Nós temos medo que muitos tentem deixar o país.” Há também um projeto de criar novas empresas, mas o programa só começou no início deste ano. “É impossível que todos se tornem empresários”, diz Aleksandr Nazimov, de 50 anos, que trabalha na usina há 20. “O que nós precisamos é de novos empregos, e eles não estão sendo criados." Um de seus filhos se mudou para a Espanha, onde trabalha como pedreiro. Outro, que também trabalha na usina de Ignalina, diz que, se ficar desempregado, poderá fazer a mesma coisa. Preços altos E há outros problemas. Ignalina fornece atualmente 80% da eletricidade consumida pela Lituânia. Muitos temem que o fechamento acabe provocando um aumento nos preços da eletricidade. Mas o presidente do Instituto de Energia da Lituânia, Jurgis Vilemas, diz que isso é especulação. Para ele, os preços de eletricidade poderão subir um pouco assim que o país entrar para a União Européia, mas por causa das diferenças na aplicação de impostos, e não devido ao fechamento de Ignalina. Vilemas acredita que o fechamento do primeiro reator não terá influência nenhuma para os consumidores, uma vez que o segundo reator ainda fornecerá 70% da energia necessária.
Para depois de 2009, ele acredita que poderá haver um certo impacto, mas tudo dependerá de como a economia do país se desenvolver. Há duas alternativas: a Lituânia poderá contar com a produção de termoelétricas, caso haja investimento privado para criação de pequenas usinas do tipo, e poderá importar energia. Uma combinação das duas coisas provavelmente será adotada. Vilemas diz que mesmo a última opção não é ruim. Ele cita o exemplo da Letônia, que importa cerca de 40% de sua energia. O setor energético lá, segundo ele, está muito melhor financeiramente e os consumidores não estão pagando mais. Já o diretor de Ignalina, Victor Shevaldin, acredita que o futuro para a geração de energia pode estar ainda na tecnologia nuclear. Ele diz que pesquisas já foram feitas para avaliar se uma nova planta poderia ser construída para substituir a atual, usando reatores do mesmo tipo dos que são usados na Europa ocidental. |
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