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Sem reunificação, só a metade rica de Chipre entra na UE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com a rejeição do plano de reunificação, a ilha de Chipre, localizada no mar Mediterrâneo, em um ponto estratégico entre a Europa, a Ásia e a África, entra dividida na União Européia, no dia 1º de maio. Em Nicósia, a última capital dividida da Europa, ficará também uma nova fronteira do bloco europeu, a linha verde, que corta o país de leste a oeste. A manutenção da divisão significa que as leis e os benefícios da União Européia só serão alocados no sul do país, onde moram os grego-cipriotas. A "República Turca do Norte de Chipre", onde vivem os cidadãos de origem turco-cipriota, só é reconhecida como um país pela Turquia e ficará de fora do bloco. Impressão Mas, dos dois lados da ilha, a União Européia tem significados bem diferentes. Para o sul, que tem uma economia forte e baixos índices de desemprego, um dos grandes atrativos da União Européia é a segurança. "Nosso nível de vida aqui no sul nos torna contribuintes da União Européia. A vantagem do bloco para nós é a segurança que nos dá", disse Constantino Lordos, um dos maiores empresários do país e figura ativa nas tentativas de reunificação de Chipre. O estudante de direito Lázaro Athanasiou vai além. "A Turquia vai pensar duas vezes antes de fazer intervenções militares ou invadir outras partes de um país da União Européia", afirmou. Norte Já no norte de Chipre, a possibilidade de entrada na União Européia era vista como a grande chance de recuperação econômica. Após 30 anos de invasão turca e embargos da comunidade internacional, a economia foi arrasada, e a região tem hoje um PIB três vezes menor do que no sul. Essa é apontada como a maior razão pela qual a maioria dos turco-cipriotas disse sim ao plano de reunificação. "Eu quero fazer parte da Europa, quero que a situação econômica melhore, que meus filhos tenham a oportunidade de estudar fora do país, por exemplo", disse Rauf Ali, um comerciante turco-cipriota. O primeiro-ministro turco-cipriota, Mehmet Ali Talat, disse, em uma entrevista após a divulgação do resultado do referendo, que espera que a União Européia leve em consideração a votação de 65% a favor da reunificação. "A União Européia precisa fazer algum tipo de proposta porque o lado turco-cipriota e a Turquia cumpriram com suas obrigações para o referendo. Talvez eles possam aliviar ou até mesmo remover as restrições econômicas que nós temos hoje", disse Talat. Já o presidente grego-cipriota, Tassos Papadoupolos, prometeu buscar formas para que o lado turco-cipriota também sinta os benefícios da União Européia. "Os grego-cipriotas não rejeitaram uma solução para o problema do Chipre, mas apenas a solução que foi apresentada desta vez. Nós não estamos voltando as costas a nossos compatriotas turco-cipriotas", disse, mas sem precisar quando novas negociações podem começar. Futuro Mas, com ou sem o fim dos embargos econômicos, muitos analistas políticos temem que a rejeição do plano de reunificação acentue ainda mais as divisões da ilha. É o caso da presidente do Centro para a Paz no Chipre e professora de resolução de conflitos da Universidade de Chipre, Maria Hadjiplavou. Ela teme que a população perca a esperança, e a comunidade internacional perca o interesse na resolução do problema. "O voto pelo não deve congelar os esforços pela busca de uma solução. E eu não acredito que, com esse resultado, a União Européia, por exemplo, vá se engajar na tentativa de reunificar a ilha", disse. Do lado turco-cipriota, o deputado do Partido Republicano Turco Kadri Fellanoglu estava ainda mais pessimista. "Eu temo que uma nova chance para a reunificação da ilha possa demorar muito para vir, 20, até 30 anos", afirmou. Pós-referendo Mas Chipre pós-referendo não é só pessimismo. O produtor musical Haji Mike, que tem uma gravadora intercomunitária, não acha que o não ao plano foi o fim da linha para uma solução. "Essa foi a proposta mais desenvolvida até agora, mas eu não acho que o não foi o fim da linha, apenas o fim de uma linha em particular. Ainda há muito para construirmos aqui." E muitos cipriotas concordam que, enquanto os políticos do país discutem soluções, cabe à população continuar os esforços de reaproximação entre as duas comunidades. |
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