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Latino-americanos preferem crescimento econômico à democracia, diz ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um levantamento da ONU sobre democracia na América Latina constatou que 54,7% dos 18.643 latino-americanos entrevistados apoiam um governo autoritário caso resolva os problemas econômicos do país. A pesquisa de opinião foi feita em 18 países da região – entre eles, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile e México. Ao serem questionados se o desenvolvimento econômico era mais importante do que a democracia, 56,3% disseram que sim, enquanto que 58,1% concordaram que o presidente valia mais do que as leis. Outra pergunta feita foi se o entrevistado achava que o presidente deveria pôr ordem à força e controlar os meios de comunicação – 37,2% disseram sim. A pesquisa foi feita em maio de 2002 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Vulnerabilidade O estudo foi feito com o objetivo de conhecer e analisar os níveis de apoio à democracia na região da América Latina. “O apoio que os cidadãos dão à democracia é um componente chave de sua sustentabilidade”, relata o documento. “A experiência histórica nos ensina que as democracias foram derrubadas por forças políticas que contavam com o apoio (ou, pelo menos, a passividade) de uma importante parte, e certas ocasiões da maioria, dos cidadãos.” Uma pesquisa de opinião de 1996, da Latinobarômetro, indicou que 61% dos entrevistados na região preferiam a democracia a qualquer outro regime. Em 2002, essa proporção diminuiu para 57%. Essa preferência, no entanto, não significa necessariamente uma “firme apoio”, segundo a ONU. “Boa parte das pessoas que manifestam preferência pela democracia tem atitudes contrárias a algumas regras básicas desse regime.” Uma das estatísticas revela que aproximadamente uma em cada três pessoas acha que a democracia pode funcionar sem instituições como o Parlamento e os partidos políticos. “Essas respostas são uma chamada de atenção”, destaca a ONU. Fazendo uma análise do perfil daqueles considerados “não-democráticos”, os pesquisadores da ONU concluíram que essa orientação tem mais adeptos entre aqueles com menor nível de educação, quem viveu em períodos de governos autoritários, quem tem uma percepção de baixa mobilidade social em relação aos seus pais, baixas expectativas quanto ao futuro de seus filhos e maior desconfiança das instituições. |
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