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Atualizado às: 13 de abril, 2004 - 22h58 GMT (18h58 Brasília)
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Líder rebelde busca negociação, diz fonte iraquiana
Tropa americana
Reforços foram enviados para Falluja, no caso da solução militar ser escolhida
O clérigo rebelde Moqtada Al-Sadr estaria buscando uma saída negociada para o confronto entre xiitas e americanos no Iraque e pode desmobilizar sua milícia caso autoridades religiosas do país peçam.

Segundo fontes da agência Reuters que acompanham a delegação que negocia o fim do levante comandado por Sadr, ele compreende como os americanos são militarmente poderosos e que poderia sair em uma posição de força caso fizesse um acordo neste momento.

Em uma entrevista nesta terça-feira, o clérigo disse que morreria por sua causa, mas também afirmou que sua principal intenção é manter as tropas americanas fora da cidade sagrada de Najaf, onde está baseado.

Sadr também teria dito que pode desmobilizar seu “Exército Mehdi” - que desde o início do mês passou a enfrentar a ocupação do pai - caso isso seja pedido pelos líderes religiosos que estão negociando com ele.

A afirmação é vista com desconfiança por parte da comunidade xiita mais moderada, que afirmou que se ele não pediu autorização para formar sua milícia - e iniciar um levante - não teria que pedir autorização para desmontá-la.

Em um sinal de que pode negociar o fim do confronto aberto com os Estados Unidos, Moqtada Al-Sadr retirou suas milícias que ocupavam delegacias de polícia em três cidades, incluindo Najaf.

As delegacias foram retomadas por forças de segurança iraquianas treinadas pelos americanos.

Apesar disso, ele insiste na anulação do mandado de prisão expedido contra ele por um juiz iraquianos e continua defendendo a saídas dos americanos do Iraque.

Dilema

Publicamente os americanos afirmam que Sadr deve ser preso ou morto e têm preparado, em torno de Najaf, uma operação para capturá-lo.

No entanto, a correspondente da BBC em Bagdá Barbara Plett afirma os americanos se defrontam com um grande dilema em relação ao clérigo: se optarem por uma solução política, estarão dando legitimidade às forças que se opõem à ocupação; mas se optarem pela solução militar, vão alienar ainda mais um povo que já está revoltado com suas ações.

Em meio às negociações para encerrar o confronto com os xiitas, também ocorreram ações para acabar com a outra frente de combate enfrentada pelos americanos no Iraque com os sunitas.

Na cidade de Falluja, principal centro da resistência sunita, foi mantido durante todo o dia um frágil cessar-fogo entre os fuzileiros navais e os rebeldes que defendem a cidade.

De acordo com Barbara Plett, porém, continuam os combates pelo controle da estrada principal que leva à cidade.

No caso de Falluja, os americanos exigem que as guerrilhas entreguem suas armas e também os responsáveis pela morte de civis americanos na cidade, há duas semanas.

Os rebeldes afirmam que não há negociação se os fuzileiros não se retirarem da região.

Violência

Embora os dois principais focos de tensão nesta terça-feira tenham se concentrado em Falluja e Najaf, em vários pontos do Iraque ocorreram confrontos entre rebeldes e tropas da coalizão.

Um helicóptero americano foi derrubado e combates isolados deixaram pelo menos um soldado americano morto e vários feridos.

Alguns comboios de suprimentos para as tropas foram suspendidos até que os militares americanos sejam capazes de dar mais segurança às empresas responsáveis pela logística – muitas dessas companhias sãos os alvos da recente onda de sequestro no país.

A quantidade das suspensões não foi divulgada, mas especialistas afirmam que os comboios de suprimentos são críticos, já que as Forças Armadas americanas estão mais e mais dependentes de empresas privadas para a distribuição de equipamentos e suprimentos básicos.

Forças da coalizão vêm lutando para liberar as principais estradas que entram e saem de Bagdá e permitir o trânsito de caminhões com alimentos, água e munição para os soldados.

Comboios de ajuda humanitária também foram afetados.

ONU

A segurança também é a principal preocupação para o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, que disse nesta terça-feira que não pode enviar uma grande equipe da ONU de volta ao Iraque no futuro próximo.

Annan afirmou que está em discussões sobre como o pessoal da ONU pode ser protegido se retornar ao país.

Funcionários da ONU foram retirados do país em outubro depois do ataque a bomba ao quartel-general das Nações Unidas em Bagdá que matou mais de 20 pessoas, entre eles o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Mesmo assim, ele disse que o prazo de 30 de junho para a transferência do poder para os iraquianos deve permanecer.

"A data foi adotada pelos próprios iraquianos que estão ansiosos para ver o fim da ocupação o mais rápido possível e acredito que vai ser difícil voltar atrás", disse.

Não há ainda um papel definido para a ONU na transição.

O enviado especial da ONU ao Iraque, Lakhdar Brahimi, está em Bagdá ajudando a decidir com será a formação do governo interino e uma pequena equipe da ONU está investigando a possibilidade de realização de eleições.

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