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Ministro francês deixa Ruanda depois de críticas do presidente | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O representante do governo da França nas solenidades para marcar os dez anos do genocídio em Ruanda realizadas na capital, Kigali, abreviou sua visita ao país. O ministro de Negócios Estrangeiros da França, Renaud Muselier, partiu de Ruanda depois que a França foi criticada pelo presidente ruandês, Paul Kagame. Kagame acusou a França de armar e treinar os milicianos da etnia hutu em Ruanda, responsáveis pelos ataques a tutsis e hutus moderados que resultaram na morte de cerca de 800 mil pessoas. O presidente de Ruanda disse que seu país arca com a responsabilidade pelo genocídio de 1994, mas que o mundo viu e deixou isso acontecer. Kagame discursou para uma multidão de 65 mil pessoas no estádio nacional de futebol da capital. Faixas no estádio diziam "nunca mais". O estopim do massacre foi a derrubada do avião que transportava o presidente hutu de Ruanda, Juvenal Habyarimana, no dia 6 de abril de 1994. A matança figura, ao lado do holocausto dos judeus, como uma das piores atrocidades do século 20. Vazamento A França nega qualquer participação no massacre. Uma investigação do governo francês que vazou para a imprensa diz que os então rebeldes tutsis, que hoje ocupam o governo de Ruanda, dispararam os mísseis que abateram o avião de Habyarimana. A aeronave estava perto de aterrisar na capital, Kigali, quando um ou dois mísseis terra-ar a derrubaram. Por uma coincidência extraordinária, os escombros do avião caíram no jardim da residência presidencial. A queda assinalou o início da eliminação sistemática da minoria étnica tutsi, de oposição, por extremistas hutus, simpatizantes do governo. Essa não foi uma guerra tribal africana caótica, como alguns governos ocidentais tentaram descrevê-la na época, mas um plano político bem executado. A Bélgica, antigo poder colonial de Ruanda, e a África do Sul, pediram desculpas por não tomar qualquer medida durante o genocídio. Na época do genocídio, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha escolheram ignorar as provas claras de que um genocídio estava acontecendo no país e não quiseram contribuir com soldados para as tropas de paz das Nações Unidas, enviadas a Ruanda para tentar evitar o massacre. Outros países ocidentais foram criticados por não enviar representantes às solenidades em Ruanda. Memorial Foi inaugurado um memorial nacional em uma colina em Kigali, com os despojos de centenas de vítimas sepultados novamente em 20 caixões. Mulheres vestidas em trajes tradicionais seguravam fotos de seus parentes mortos nos cem dias de matança. Um museu no local exibiu fotos de crianças mortas no genocídio. Estima-se que 300 mil tenham morrido no total. Também foi inaugurado nesta quarta-feira um monumento em homenagem aos dez soldados de paz belgas mortos no país. Eles foram mortos no dia 7 de abril de 1994, quando tentava proteger o primeiro-ministro Agathe Uwilingiyamana, um moderado. |
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