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Álbum de fotos reúne famílias separadas pelo genocídio em Ruanda | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na tentativa desesperada de sobreviver ao genocídio de 1994, em Ruanda, milhares de crianças ruandesas acabaram sendo separadas de suas famílias. Algumas delas eram tão novas que sequer conseguiam se lembrar dos nomes das suas famílias, muito menos das suas cidades natal. As agências humanitárias chegaram rapidamente à conclusão de que a única forma de reunir essas famílias era mostrar fotografias para que os parentes das crianças pudessem reconhecê-las. Dez anos depois do genocídio, a BBC mostra como álbuns de fotografia da Cruz Vermelha ajudaram a reunir duas famílias separadas pelo genocídio. Multidão Para Prosper Uwera, o álbum era a única esperança de reencontrar a sua família. Na época, com apenas três anos de idade, Prosper foi separado por uma multidão que fugiu para a República Democrática do Congo em uma jornada pela sobrevivência. "Eu tinha me esquecido do nome dos meus pais e até do meu próprio nome. Me esqueci de tudo", conta o menino.
Ele estava vivendo em um centro para crianças órfãs no sul de Ruanda quando a Cruz Vermelha apareceu para fazer um álbum de fotografias. A mãe dele, Felicite, acreditava no pior, mas nunca perdeu as esperanças. Ela começou a sua busca quando imaginou que era seguro voltar da República Democrática do Congo, em 1996, e só se reencontrou com o filho – graças à intervenção da Cruz Vermelha – em outubro de 2003. "Eu estava muito, mas muito feliz e animada, chorando de alegria e passei a noite inteira dançando", conta Felicite. Dança Veronique Uwimana foi separada de duas das suas crianças na República do Congo em 1997. "Primeiro, nós moramos em um campo de refugiados e depois na floresta", conta Veronique. "Certo dia, ouvimos tiros. Eu carregava o meu caçula nas costas, mas os outros dois fugiram e o tiroteio começou. Quando dei por mim, não sabia para onde eles tinham ido." As duas crianças perdidas, Jean Bosco e Jeanne D'Arc, tinham apenas seis e dois anos quando se separaram da mãe. Veronique também achava que elas tinham morrido ou sido assassinadas. Quando a mãe voltou a Ruanda, começou a trabalhar no Ministério de Assuntos Sociais. Foi lá que ela viu os álbuns de fotografias de crianças desaparecidas que sempre eram enviados para lá. Em dois álbuns diferentes, ela descobriu fotos de suas crianças perdidas. Ela se reencontrou com Jeanne em 1999 e com Jean Bosco em fevereiro de 2003. Felicidade "Primeiro, a minha filha mantinha uma distância porque não me reconhecia, e levou algumas semanas até que ela se acostumasse comigo, mas hoje somos muito próximas outra vez", conta Veronique, sobre as dificuldades que enfrentou.
Jean Bosco enfrentou os mesmos problemas. "Quando soube que a minha mãe estava viva, primeiro desconfiei, porque achava que ela tinha morrido. Mas aí comecei a pensar que talvez fosse verdade e ela estava viva", conta o menino. "Primeiro, não reconheci a minha mãe, mas depois, sim. Eu me sentia muito triste, mas agora estou muito feliz", completou. |
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