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Atualizado às: 07 de abril, 2004 - 21h25 GMT (17h25 Brasília)
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Seria o Iraque um novo Vietnã?

Ataque com napalm durante a guerra do Vietnã
A guerra do Vietnã durou 14 anos e matou quase 60 mil americanos
O senador democrata, Edward Kennedy, disse que o Iraque é o Vietnã de George W. Bush - a longa guerra que acabou em uma retirada humilhante para os Estados Unidos em 1975.

Como justificar essa comparação? Há diferenças óbvias.

A guerra do Vietnã durou 14 anos e teve uma escala muito maior. Em seu auge, mais de meio milhão de soldados americanos foram enviados para lá, em comparação a 25% desse número para o Iraque.

Quase 60 mil morreram no Vietnã.

Observando os aliados dos Estados Unidos, a diferença mais óbvia é a ausência da Grã-Bretanha, seu maior parceiro no Iraque. Na década de 60, o governo britânico resistiu à pressão de Washington para enviar tropas para o Vietnã.

A Coréia do Sul lutou ao lado dos Estados Unidos, juntamente com contingentes menores da Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e Tailândia.

Brutal

Para ajudar a lidar com o Iraque depois da guerra, os Estados Unidos arrolaram uma longa lista de aliados, a maioria europeus. Mas em termos militares, só a contribuição britânica é significativa.

Os Estados Unidos usaram métodos mais brutais no Vietnã - inclusive bombardeio em larga escala, com uso freqüente de bombas incendiárias e a destruição de vilarejos inteiros que eram suspeitos de abrigar guerrilheiros do Vietcong.

Tais táticas são até mais difíceis de justificar atualmente. Os americanos têm armas muito mais precisas ao seu dispor.

Mas elas são irrelevantes para as tarefas que se apresentam no momento.

Essencialmente, os americanos enfrentam o mesmo dilema no Iraque - como separar os combatentes dos cidadãos comuns, desta vez em cidades semi-destruídas e não em florestas tropicais.

Uma solução puramente militar era e é impossível. Mas na época, como hoje, uma superpotência empenhou seu prestígio na vitória.

Então, a questão que se apresenta é: como sair de lá?

O Vietnã arruinou a Presidência de Lyndon Johnson. Seu sucessor, Richard Nixon, negociou um acordo de paz que, na verdade, implicou na retirada americana e na passagem do Vietnã do Sul para Vietnã do Norte, comunista.

O instrumento político local de Washington, o corrupto governo militar sul-vietnamita caiu em descrédito e se desfez.

No Iraque, os americanos indicaram um Conselho de Governo com legitimidade contestável. A diferença, eles esperam, será o envolvimento das Nações Unidas e uma passagem do poder a um governo mais representativo.

Justificativa ideológica

Uma semelhança gritante é a declaração de Washington de uma razão ideológica, até altruísta, para a guerra.

No Vietnã, tratava-se de uma resistência à propagação do comunismo: a teoria era de que se ele não fosse enfrentado lá, o resto do sudeste asiático cairia como uma fileira de dominós.

As razões para a invasão do Iraque são mais nebulosas, mas a administração Bush tem buscado com freqüência se apresentar como parte de uma guerra contra o terrorismo islâmico - assim como um esforço para estabelecer o Iraque como um marco de democracia de estilo ocidental no Oriente Médio.

Em ambos os casos, os Estados Unidos disseram que estão defendendo a liberdade: mas seu envolvimento no Vietnã estimulou uma luta nacional de resistência e um fenômeno semelhante pode estar emergindo no Iraque.

Até agora, não surgiu nos Estados Unidos nada parecido com o movimento maciço de protesto contra a guerra do Vietnã.

Mas a sombra do Vietnã paira sobre a presidência Bush de outra forma.

Seu oponente nas eleições presidenciais de novembro será John Kerry, que foi condecorado por bravura na guerra do Vietnã, mas depois fez campanha contra o envolvimento americano no conflito.

Bush evitou ser convocado para servir no Vietnã.

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