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Atualizado às: 07 de abril, 2004 - 16h44 GMT (12h44 Brasília)
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Como xiita montou a milícia que enfrenta os EUA

Combatente membro da milícia Exército Mehdi, do Iraque
Combatente membro da milícia Exército Mehdi, do Iraque
A milícia iraquiana Exército Mehdi provavelmente não tem mais do que poucos milhares de membros, mas seu potencial para organizar choques e desordem é clara, como as batalhas de rua que eclodiram em áreas xiitas do país deixaram claro.

A milícia foi criada no verão de 2003, originada pelo clérigo radical Moqtada Sadr, que pregava a necessidade de uma nova força no país.

Jovens foram recrutados em escritórios próximos a mesquitas para defender a fé xiita muçulmana e o Iraque, em desafio ao controle de armas imposto pela coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Um ano depois da invasão, o movimento de Sadr continua recrutando novos integrantes e se alimentando da insatisfação entre os xiitas que, inicialmente, aprovaram a queda de Saddam Hussein e o fim das restrições à sua fé.

O apelo desta milícia age principalmente sobre "aqueles jovens e desesperados xiitas nas favelas do Iraque, que não tiveram nenhum benefício depois da liberação", disse o especialista em Iraque da Universidade de Warwick, Toby Dodge, à BBC.

O nome vem da palavra Mehdi, o "prometido" no Islamismo. E a milícia é leal ao seu fundador religioso.

''Não tenho certeza sobre qual é o objetivo do Exército ou quando vamos lutar, mas eu seguirei as ordens de Sadr'', disse o voluntário da milícia Kathem Rissam, 29 anos, ao jornal Financial Times.

Armas

O potencial da milícia como uma força armada só foi percebido quando a violência contra as forças de coalizão eclodiu nesta semana.

Entretanto muitos dos atiradores em ação nos últimos dias nas ruas de Bagdá ou Najaf podem não ser necessariamente membros da milícia, mas iraquianos comuns defendendo suas vizinhanças.

As batalhas nas ruas sugerem que o Exército Mehdi tem acesso a granadas-foguetes, pesadas metralhadoras e a Kalashnikovs.

Depois de três guerras consecutivas, o Iraque era um país altamente militarizado na época da invasão da coalizão. Depósitos de armas ficaram abertos durante meses depois da queda do antigo regime.

Escolha natural

O Exército Mehdi foi a primeira milícia xiita a se organizar e agora se beneficia de um certo grau de disciplina militar, se transformando na escolha natural para liderar os choques em áreas xiitas.

Segundo um dos correspondentes da BBC no Iraque, Paul Woods, Moqtada Sadr pode ter o apoio de 15% da comunidade xiita iraquiana, ou cerca de 2,5 milhões de pessoas.

A tensão entre o Exército Mehdi e a coalizão cresceu lentamente antes dos choques do começo de abril.

Quando a milícia estava sendo formada alguns voluntários não escondiam que sua tarefa seria lutar contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos.

"Se Deus quiser, este Exército vai se livrar dos americanos, dos israelenses e de todos os infiéis", disse o voluntário Mohammad Abbas, 27 anos, ao jornal The Times, logo depois de se alistar no ano passado.

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