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Ruanda lembra os dez anos do genocídio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ruanda lembra nesta terça-feira os dez anos do início do genocídio de mais de 800 mil pessoas, na maioria integrantes da minoria tutsi e hutus moderados, assassinados por milícias hutus. A gota d'água para o massacre foi a derrubada do avião que levava o presidente hutu de Ruanda, Juvenal Habyarimana, no dia 6 de abril de 1994. A matança figura, ao lado do holocausto dos judeus, como uma das piores atrocidades do século 20. Em entrevista à BBC, o atual presidente de Ruanda, Paul Kagame, acusou a França de ter auxiliado a preparação do massacre. Kagame afirmou que os franceses treinaram as milícias para matar, sabendo que elas tinham a intenção de matar. Vazamento A França repudia qualquer participação no massacre. Uma investigação do governo francês que vazou para a imprensa diz que os então rebeldes tutsis, que hoje ocupam o governo de Ruanda, dispararam os mísseis que abateram o avião de Habyarimana. A aeronave estava perto de aterrisar na capital, Kigali, quando um ou dois mísseis terra-ar a derrubaram. Por uma coincidência extraordinária, os escombros do avião caíram no jardim da residência presidencial. A queda assinalou o início da eliminação sistemática da minoria étnica tutsi, de oposição, por extremistas hutus, simpatizantes do governo. Essa não foi uma guerra tribal africana caótica, como alguns governos ocidentais tentaram descrevê-la na época, mas um plano político bem executado. Política Na época, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha escolheram ignorar as provas claras de que um genocídio estava acontecendo no país e não quiseram contribuir com soldados para as tropas de paz das Nações Unidas, enviadas a Ruanda para tentar evitar o massacre. A matança continuou por cem dias, até que rebeldes tutsi armados conseguiram tomar o poder. Desde então, uma grande controvérsia surgiu sobre quem derrubou o avião do presidente. A investigação do governo francês diz que foram rebeldes tutsis. O presidente Kagame diz que essa alegação é ridícula e que a intenção dos franceses é, com isso, afastar a conivência do governo com os extremistas hutus. A França era uma importante aliada do regime hutu em 1994, e o trabalho conjunto de especialistas militares franceses com o Exército ruandês é bem documentada. Os franceses, afirma Kagame, "têm sangue do genocídio nas suas mãos". No entanto, dez anos depois, a pergunta sobre quem derrubou o avião que detonou um dos piores genocídios do século XX ainda não foi respondida. |
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