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Atualizado às: 06 de abril, 2004 - 12h10 GMT (08h10 Brasília)
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Ruanda lembra os dez anos do genocídio

Crânios de vítimas do genocídio em Ruanda
Dez anos depois, não se sabe quem derrubou o avião em 1994
Ruanda lembra nesta terça-feira os dez anos do início do genocídio de mais de 800 mil pessoas, na maioria integrantes da minoria tutsi e hutus moderados, assassinados por milícias hutus.

A gota d'água para o massacre foi a derrubada do avião que levava o presidente hutu de Ruanda, Juvenal Habyarimana, no dia 6 de abril de 1994.

A matança figura, ao lado do holocausto dos judeus, como uma das piores atrocidades do século 20.

Em entrevista à BBC, o atual presidente de Ruanda, Paul Kagame, acusou a França de ter auxiliado a preparação do massacre.

Kagame afirmou que os franceses treinaram as milícias para matar, sabendo que elas tinham a intenção de matar.

Vazamento

A França repudia qualquer participação no massacre.

Uma investigação do governo francês que vazou para a imprensa diz que os então rebeldes tutsis, que hoje ocupam o governo de Ruanda, dispararam os mísseis que abateram o avião de Habyarimana.

A aeronave estava perto de aterrisar na capital, Kigali, quando um ou dois mísseis terra-ar a derrubaram.

Por uma coincidência extraordinária, os escombros do avião caíram no jardim da residência presidencial.

A queda assinalou o início da eliminação sistemática da minoria étnica tutsi, de oposição, por extremistas hutus, simpatizantes do governo.

Essa não foi uma guerra tribal africana caótica, como alguns governos ocidentais tentaram descrevê-la na época, mas um plano político bem executado.

Política

Na época, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha escolheram ignorar as provas claras de que um genocídio estava acontecendo no país e não quiseram contribuir com soldados para as tropas de paz das Nações Unidas, enviadas a Ruanda para tentar evitar o massacre.

A matança continuou por cem dias, até que rebeldes tutsi armados conseguiram tomar o poder.

Desde então, uma grande controvérsia surgiu sobre quem derrubou o avião do presidente.

A investigação do governo francês diz que foram rebeldes tutsis.

O presidente Kagame diz que essa alegação é ridícula e que a intenção dos franceses é, com isso, afastar a conivência do governo com os extremistas hutus.

A França era uma importante aliada do regime hutu em 1994, e o trabalho conjunto de especialistas militares franceses com o Exército ruandês é bem documentada.

Os franceses, afirma Kagame, "têm sangue do genocídio nas suas mãos".

No entanto, dez anos depois, a pergunta sobre quem derrubou o avião que detonou um dos piores genocídios do século XX ainda não foi respondida.

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