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Ataques em Madri sugerem que Al-Qaeda pode ter 'cara nova' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Talvez esteja muito cedo para falar em uma "Al-Qaeda fase 2", mas, como mostram os ataques em Madri, o fenômeno está mudando. A liderança do grupo, Osama Bin Laden e seus principais comandantes, muitos dos quais devem sua proximidade com o chefe por causa da resistência afegã contra a ocupação soviética, está sob forte pressão. Muitos dos importantes membros da organização foram mortos ou capturados. Mas especialistas em antiterrorismo estão convencidos de que a ameaça da Al-Qaeda ainda existe e mudou sua forma de agir. 'Tempestade na Montanha' Os ataques a bomba em Madri, na semana passada, ocorreram enquanto tropas dos Estados Unidos e do Paquistão se preparavam para uma ofensiva dos dois lados da fronteira paquistanesa com o Afeganistão. Uma nova operação, com o codinome de Tempestade na Montanha, está sendo desenvolvida com objetivo de perturbar a Al-Qaeda e talvez até atingir Osama Bin Laden. Mas a coincidência desses dois acontecimentos nos mostra algo sobre o desafio que a Europa e os Estados Unidos agora terão de enfrentar. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, a mídia americana transformou rapidamente a luta antiterrorista em algo "pessoal". Em termos de uma operação antiterrorista tradicional, os Estados Unidos foram muito bem. Além das prisões e das mortes de líderes da Al-Qaeda, a base logística do grupo no Afeganistão foi destruída, e o regime do Talebã foi derrubado. Mas, apesar de Osama Bin Laden poder até estar na mira dos americanos, a ameaça terrorista ainda persiste. Dados preocupantes Se tiverem mesmo sido realizados por algum grupo militante islâmico, os ataques de Madri ilustram novos acontecimentos preocupantes. Há um motivo pelo qual não se tratou, aparentemente, de um atentado suicida, o método preferido pela Al-Qaeda até agora. Os explosivos foram simplesmente deixados em sacolas nos trens. Portanto, os autores do ataque estão vivos e podem voltar a agir. Mas outro fato ainda mais preocupante é o de que os serviços de inteligência americanos não terem pego nenhum dos "códigos" em conversas gravadas antes das explosões, que poderiam dar pistas da iminência do ataque. Isso sugere uma ação planejada localmente, que não foi comandada ou instigada à distância. O timing também mostra um novo nível de sofisticação: não apenas foi uma tentativa de provocar um número muito maior de vítimas, como também de realizar os ataques em um momento de alta sensibilidade política, quase na véspera das eleições parlamentares. É perfeitamente possível que a maneira como o governo espanhol lidou com as explosões tenha sido a responsável pela sua derrota. Vários grupos Em fevereiro, o diretor da CIA, o serviço de inteligência americano, George Tenet, afirmou que "sucessivos ataques à liderança central da Al-Qaeda" transformaam a organização em uma reunião de redes regionais que operam com mais autonomia. Ele afirmou que grupos sunitas extremitas menores se beneficiaram de suas ligações com a Al-Qaeda. Muitos especialistas já haviam destacado esse aspecto da influencia da organização. Para os analistas, Osama Bin Laden é visto como um líder e uma inspiração para vários grupos "infectados pelos planos radicais da Al-Qaeda", conform definição de Tenet. Somente um grupo como este pode estar por trás dos bombardeios em Madri. Mas eles podem claramente ser independentes do controle direto da Al-Qaeda. Então a crescente pressão militar nas fronteiras do Afeganistão podem ser insuficientes para diminuir os temores de novos ataques terroristas na Europa. |
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