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Atualizado às: 16 de março, 2004 - 17h21 GMT (14h21 Brasília)
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Atentados em Madri já influenciam eleições nos EUA

O democrata John Kerry
John Kerry critica política 'isolacionista' de Bush
É hora de inverter o raciocínio. Uma análise comum, muitas vezes respaldada por teorias conspiratórias, ressalta que o governo Bush gostaria de "programar" a captura de Osama bin Laden na véspera das eleições de novembro.

A recompensa seria a reeleição do presidente republicano.

Agora é possível dizer que o atentado de Madri e a derrota do Partido Popular frente ao socialistas mostraram que o terror talvez "programe" ações para influenciar resultados eleitorais em democracias sólidas.

Na edição desta terça-feira do jornal The New York Times, Edward Luttwak, um dos mais influentes analistas conservadores nos EUA em assuntos de segurança, dá uma bronca nos espanhóis por terem permitido que um "pequeno bando de terroristas ditasse o desfecho de suas eleições nacionais".

Perplexidade

O desfecho foi uma surpresa generalizada e em Washington existe um estado de perplexidade. O alto comando do governo Bush, inclusive, não soube reagir no domingo quando se configurou a derrota do fiel aliado José María Aznar.

A surpresa é compreensível. Na chamada sabedoria convencional, um atentado terrorista deveria mobilizar a sociedade civil em torno do governo de plantão. Isso aconteceu nos EUA após 11 de setembro de 2001.

A Espanha mostra que não é bem assim. Desde o terrível 11 de março de 2004 está disseminada pelo mundo a idéia perturbadora de que a rede Al-Qaeda tentará influenciar com atentados o cenário eleitoral em países democráticos ou, mais a curto prazo, levar aliados dos EUA a repensar sua presença na ocupação do Iraque.

Virada

Acontecimentos espetaculares de fato viram uma eleição. Nos EUA, um exemplo poderoso foi a captura de reféns americanos logo após a revolução xiita no Irã em 1979. A crise contribuiu para o fracasso de Jimmy Carter na tentativa de reeleição.

Portanto, não há dúvida que os acontecimentos em si na Espanha já representam uma complicação óbvia para o governo Bush.

Para o desafiante democrata John Kerry são dilemas. Afinal, dramatizar o perigo da Al-Qaeda e as falhas do governo Bush para combatê-lo pode parecer um convite para a rede de terror tentar influenciar o resultado eleitoral em novembro.

Questões domésticas despontam como as grandes prioridades para o eleitor americano, mas evidentemente o terror sempre está no radar da opinião pública.

Como no resto do mundo, o 11 de março na Espanha criou uma comoção nos EUA. E a experiência em questões de segurança nacional de John Kerry foi fator chave para seu triunfo nas prévias democratas sobre Howard Dean e John Edwards.

Uma palavra-de-ordem na campanha de Kerry é “denunciar a política externa inepta, arrogante e isolacionista de Bush", mas desde os atentados de quinta-feira em Madri, a linha de ataque é prometer mais agressividade do que o presidente na chamada guerra contra o terror.

É uma reedição do que o democrata John Kennedy fez na campanha de 1960 contra Richard Nixon, um dos grandes arautos do anti-comunismo. Kennedy batia sem cessar na tecla de que os republicanos não faziam o suficiente para deter a ameaça soviética.

Mesmo antes de um eventual ataque, a Al-Qaeda já está influenciando a campanha eleitoral americana.

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