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Caio Blinder: A Sobrevida de John Edwards | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Se existiam dúvidas de que a campanha de John Edwards tem uma sobrevida de pelo menos algumas semanas, elas se dissiparam na terça-feira. Nas primárias democratas no estado de Wisconsin, o jovial e articulado senador da Carolina do Norte conseguiu um surpreendente segundo lugar. A idéia, claro, é exibir a surpresa Edwards como o grande evento e ofuscar a vitória do senador John Kerry. Foi uma vitória apertada. No típico jargão esportivo das disputas eleitorais, a expressão ''uma vitória é uma vitória'' foi usada e abusada pela campanha de Kerry em Wisconsin. Portanto, o senador por Massachussetts prossegue sua marcha rumo à nomeação como o candidato democrata que irá enfrentar o republicano George W. Bush nas eleições de novembro. No final das contas (até agora), Kerry venceu 15 das 17 prévias já realizadas pelos democratas. Edwards levou apenas uma. A outra foi para o general Wesley Clark, que já bateu em retirada da campanha. Sem exageros Assim, a supresa Edwards não pode ser exagerada. Circunstâncias especiais explicam o belo desempenho. Independentes e republicanos puderam votar nas primárias democratas de Wisconsin e o estado tem uma tradição iconoclasta. Salvo mais surpresas, Kerry estará em terreno familiar quando concorrer a grandes prêmios na ''Super-Terça-Feira" em 2 de março, como Nova York e Califórnia. É verdade que está montado o cenário tão desejado por Edwards. Sobraram ele e Kerry na disputa. E o argumento do senador sulista é o de que seu "espetacular"' segundo lugar fora de sua base confirma que ele está mais bem equipado do que Kerry para garantir mais votos para os democratas nas eleições de novembro. Ele é do sul (terra ingrata para o nortista Kerry), tem uma mensagem positiva no seu discurso populista e sua campanha se esquiva dos nocivos ataques pessoais. Economia x segurança nacional Economia se mostra mais importante do que segurança nacional para os eleitores democratas, mas a experiência e a genuína carreira militar de Kerry têm se revelado certeiras para neutralizar a pose do ex-tenente da Guarda Aérea Nacional do Texas George W. Bush. Edwards nem recruta foi e após 11 de setembro de 2001 algumas medalhas realmente ajudam um candidato presidencial. E mesmo em Wisconsin, palco de uma eleição suada, as pesquisas de boca-de-urna comprovaram uma folgada preferência por Kerry entre aqueles votantes que consideram poder de fogo contra Bush como o principal fator para sua escolha. Tudo bem, Edwards pode cantar vitória. Para Howard Dean não adianta chorar ou gritar. Wisconsin representou uma sobrevida para Edwards. Para o ex-governador de Vermont, é realmente a hora de escrever seu obituário, em um tom melancólico mas também edificante. De novo, é preciso lembrar que o aguerrido e tempestuoso Dean deu energia aos democratas. O partido de oposição reaprendeu a gritar, deixando claro que os republicanos de Bush não têm o monopólio de patriotismo. Dean tinha a mensagem e a atitude, mas os eleitores fizeram seus cálculos e optaram por outros mensageiros. Obituário eleitoral não significa a morte política do ex-governador de Vermont. As trombetas de Dean e de sua tropa de jovens ativistas serão muito importantes no esforço democrata para reconquistar a Casa Branca em novembro. |
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