|
Espanha voltará a integrar a 'Velha Europa', diz novo líder | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O vencedor das eleições espanholas, José Luis Rodríguez Zapatero, prometeu romper a aliança com os EUA na questão do Iraque e reatar os laços tradicionais da Espanha com a França e a Alemanha. A paisagem política da Europa pode mais uma vez ficar dividida em dois. Horas após o anúncio do resultado da eleição, Zapatero qualificou a guerra no Iraque e sua ocupação, liderada pelos EUA, como "desastres". Ele disse que o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, deveriam fazer uma "auto-crítica" e refletir sobre seus erros. Retorno Zapatero prometeu trazer para casa os 1.300 soldados da missão de paz espanhola hoje posicionados no Iraque. O líder espanhol deverá anunciar a data do retorno após ser empossado, dentro de algumas semanas. As declarações do presidente recém-eleito podem refletir a inexperiência política de Zapatero, ou suas fortes convicções. De qualquer forma, elas apontam na direção de um reaquecimento no caldeirão de velhas discussões dentro da Europa e do outro lado do Atlântico. No governo de José Maria Aznar, a Espanha e a Grã-Bretanha se tornaram os pilares de um grupo de nações pró-América na Europa Ocidental. Suas principais contribuições foram: • no âmbito internacional, o apoio diplomático aos EUA e Grã-Bretanha na questão do uso de força militar no Iraque. • no Iraque, envio de forças de paz altamente qualificadas para ajudar na reconstrução física e política do país. • na União Européia, o apoio à Otan e a defesa das relações entre Europa e América. Ao lado da Espanha, os aliados europeus mais próximos dos EUA no que se refere à questão iraquiana são Grã-Bretanha, Dinamarca, Itália, Polônia e a maioria dos países da Europa do Leste que passarão a integrar a União Européia a partir de maio. Do outro lado, a França lidera um outro grupo de Estados europeus que se opõem à guerra liderada pelos EUA no Iraque e que ainda se recusam a contribuir diretamente para o trabalho das forças de ocupação no país. Alemanha e Bélgica fazem parte do grupo, a Espanha pode agora passar a fazer parte dele também. Disputas Durante 18 meses, desde agosto de 2002 até fevereiro deste ano, tentativas de estabelecer uma política exterior comum para os integrantes da UE foram frustradas enquanto os dois grupos rivais se embatiam em uma série de brigas públicas. A divisão contribuiu para envenenar a atmosfera no momento em que 25 governos das Europas Ocidental e Oriental se esforçavam para conseguir chegar a um acordo a respeito do texto da nova Constituição européia, texto cujo objetivo era demonstrar unidade e um propósito comum da Europa como um todo. Ao contrário, as negociações a respeito da Constituição foram quebradas durante um encontro de cúpula em Bruxelas em dezembro. Agora, Zapatero promete reviver a tradicional posição "pró-Europa" na política exterior espanhola. Os principais pontos dessa política são: • abrandar a posição espanhola de defesa de seus interesses nacionais - especialmente no que se refere ao seu poder relativo de voto - para que se possa chegar a um acordo sobre a Constituição européia. • trazer de volta para casa as tropas espanholas hoje no Iraque para mostrar que o governo do país desaprova uma guerra "sem justificativa". • pedir que haja uma nova aliança internacional contra o terrorismo, baseada na autoridade da ONU e não em "ações unilaterais" dos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Repercussão Este conjunto de propostas recebeu as boas vindas da França, mas obteve uma resposta fria do governo britânico. O presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, defensor de uma Europa mais forte, disse ao jornal italiano La Stampa que a estratégia americana tinha falhado, pois tinha levado o terrorismo internacional a tornar-se "infinitamente mais poderoso". Já o cristão democrata alemão Freidbert Pflueger, amigo de longa data dos americanos, disse à BBC que o novo governo espanhol está buscando uma "conciliação" com o terrorismo. Segundo Freidbert, a Al-Qaeda parece ter conseguido mudar o governo de um país europeu por meio do terror. "Isso não deve acontecer de novo", disse ele. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||