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Atualizado às: 08 de março, 2004 - 11h41 GMT (08h41 Brasília)
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Análise: A convicção que mantém Chávez no poder

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Chávez tem o apoio de muitas pessoas na camada mais pobre
Um Hugo Chávez com olhar de herói, com as mangas arregaçadas e os braços esticados num gesto de aproximação com seus simpatizantes, chama a atenção em um outdoor no subúrbio abastado de Chacaito, em Caracas.

As palavras que acompanham a foto do presidente venezuelano e de seus fãs são duras e vão direto ao centro da polêmica que o envolve: "Se você está contra Hugo Chávez, você está contra o povo".

Mas a mensagem parece ter se perdido na multidão de meio milhão de pessoas que transformou as ruas da cidade em um mar de vermelho, amarelo e azul (as cores da bandeira venezuelana) no sábado.

A manifestação pacífica, mas barulhenta, foi a maior organizada pela oposição venezuelana neste ano.

Acusações

Os oposicionistas dizem que o líder venezuelano está se tornando cada vez mais autoritário, e que está tentando trasformar o país, rico em petróleo, em uma nova Cuba.

 O presidente derrotou eles (a oposição) em eleições democráticas. Eles têm poder econômico. Nós, o poder da convicção.
Simpatizante chavista

Eles também acusam Chávez de abuso dos direitos humanos por ter reprimido protestos na semana passada, durante os quais pelo menos oito pessoas teriam sido mortas.

A salvação da oposição é o referendo que pode revogar o mandato do presidente - uma novidade que tinha o apoio de Chávez em 1999 e que foi incluída na Constituição venezuelana.

Mas, para a que a realização do referendo seja aprovada, a oposição precisa ter arrecadado assinaturas de pelo menos 20% dos eleitores do país ou cerca de 2,4 milhões de pessoas.

'Respeite as regras'

Durante quatro dias, no ano passado, a Coordenadoria Democrática - uma coalizão de grupos da oposição venezuelana - reuniu assinaturas e as apresentou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o juiz do processo.

A oposição diz ter entregue cerca de 3,4 milhões de assinaturas, um milhão a mais do que o mínimo necessário, mas o CNE anunciou que aproximadamente um terço delas terão que ser reconfirmadas.

A decisão deixou irritados os oposicionistas, que dizem que o CNE está agindo como um árbitro de futebol mudando a posição das traves do gol.

"Faça de conta que estamos em um jogo e que o placar seja de 3 a 0", disse o líder da oposição Juan Fernandez.

"Ao final da partida, o juiz diz: 'o resultado foi 5 a 2, mas o vencedor foi o time que perdeu'. Esse é o problema que estamos enfrentando."

"Nós não estamos dizendo que faremos pressão sobre o árbitro. Estamos dizendo: 'Juiz, obedeça às regras e regulamentos do jogo. Nós estamos jogando futebol, não beisebol, por isso respeite as regras", completou.

Jogando duro

A oposição prometeu continuar protestando até que o referendo seja aprovado. Mas eles vão mesmo?

A imensa manifestação deste fim de semana aconteceu em um sábado.

News image
A oposição acusa Chávez de abusos dos direitos humanos

O sol estava brilhando, e a maioria dos presentes ao protesto, principalmente membros da classe média, provavelmente tinha coisas melhores para fazer.

O verdadeiro teste para a oposição será provar que pode mobilizar tal número de pessoas regularmente em Caracas.

Eles já tentaram jogar duro com Chávez no passado e, em todas as vezes, se deram mal.

Em abril de 2002, um golpe, supostamente realizado com o apoio dos Estados Unidos, afastou o presidente por um breve período do poder, mas Chávez voltou mais arrojado e com as baterias recarregadas.

No ano passado, o presidente encarou e venceu uma greve geral de dois meses, que quase arruinou a economia do país.

Aposta da oposição

Mas vamos supor, por ora, que o CNE - sob pressão dos Estados Unidos, da Organização dos Estados Americanos e da União Européia - decida que há assinaturas suficientes para fazer um referendo. O que vai acontecer?

Primeiramente, se o referendo acontecer depois da metade de agosto e a oposição ganhar, não haverá novas eleições presidenciais.

Em vez disso, de acordo com a Constituição venezuelana, o vice-presidente assumiria o poder (sendo controlado por 'controle remoto' por Chávez, teme a oposição) até o final do mandato de Chávez.

Se o referendo acontecer antes de agosto, também não há garantia de que a oposição vai ganhar esta ou qualquer uma das próximas eleições presidenciais.

O poder da convicção

A única força que une a oposição na Venezuela é a aversão a Hugo Chávez. E, uma vez que ele esteja fora do governo, ela pode se fragmentar, vítima de suas divisões internas.

O outro problema para a oposição é que Chávez ainda é enormemente popular na camada mais pobre da população, que sente que a elite tradicional venezuelana nunca fez nada por ela.

"O presidente derrotou eles (a oposição) em eleições democráticas", disse um simpatizante de Chávez, enquanto checava se seu nome não havia sido, de forma fraudulenta, incluído na petição de referendo.

"Eles não podem negar este fato. Eles têm poder econômico. Nós, o poder da convicção."

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