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Atualizado às: 11 de dezembro, 2003 - 15h20 GMT (13h20 Brasília)
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A praça é deles
Lucas Mendes

Manhattan foi pechinchada ao ar livre, venda de camelô. Vinte e quatro dólares de badulaques pros índios, ilha pros holandeses. A transação talvez tenha sido na trilha indígena que hoje é a Broadway, uma das avenidas favoritas dos camelôs.

Desde sua criação, a prefeitura de Nova York briga com os vendedores de rua, mas nunca houve confrontos semelhantes aos recentes, no Rio.

Na última semana de novembro, o Globo e o Jornal do Brasil davam em manchetes a 48ª batalha entre a polícia e os camelôs, com fotos de uma caminhonete da prefeitura incendiada, gente machucada e prisões.

Em Nova York, quem moralizou o comércio de rua foi o prefeito Giuliani, sem pancadaria, mas na base do confisco e da multa.

Quando ele tomou posse, a cidade tinha leis em vigor, mas não eram postas em prática. Ele incluiu o item na sua lista de qualidade de vida da cidade.

Quatro mil e duzentos carros vendiam comida nas ruas, e os restaurantes se queixavam de um prejuízo de um milhão de dólares por dia.

Outros 2.700 camelôs, a maioria sem licenças, vendiam objetos. Algumas calçadas, como em Times Square, estavam quase bloqueadas por mesas de vendedores.

O prefeito deu um aviso prévio que ia confiscar os produtos dos que não tinham licenças. Quase ninguém acreditou. Poucos dias depois, ele colocou a polícia na rua e não só confiscou como multou.

Os vendedores saíram em passeatas, cercaram a prefeitura, mas o prefeito ganhou a parada. Desde então, todos os camelôs passaram a ser cadastrados e pagam licenças que custam trezentos dólares por ano.

A lei que controla vendas nas ruas expirou este ano, e os deputados não conseguiram chegar a um acordo sobre uma nova versão porque os representantes das minorias são contra um item que manda fichar e tirar impressões digitais de quem for preso vendendo sem licença.

A maioria dos vendedores de rua são negros e latinos e não querem ser tratados como criminosos ou terroristas. Sem lei, as ruas e praças de Nova York, de novo, pertencem aos camelôs.

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