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Atualizado às: 13 de novembro, 2003 - 13h11 GMT (11h11 Brasília)
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Aloha Jessi
Lucas Mendes


Estamos sob o efeito da blitz Jessi. Entrevistas nos principais programas de televisão, docudrama, capa da revista Time, livro e tablóides anunciando fotos da heroina Jessi, nua.

Jessi é Jessica Lynch, a moça que saiu de Palestina, um lugarejo na Virginia Ocidental, para cair numa emboscada no Iraque quando o comboio em que ela estava deixou de virar à esquerda e entrou numa fria em Nassiria.

Onze soldados americanos morreram, cinco ficaram feridos e três, entre eles Jessica, foram capturados e levados pelos iraquianos para um hospital.

Isto foi em março quando a guerra comecou a azedar e o noticiário de sucessos empobreceu. Os soldados americanos capturados foram exibidos como troféus nas redes árabes. Jessica não estava entre eles.

Fontes do Pentágono informaram a um seleto número de jornais que Jessica tinha resistido ao brutal cerco dos iraquianos até a ultima bala. Seus companheiros que estavam no jeep Humvee tinham morrido. Só sobrara ela para contar a história. Era uma heroína.

Nove dias depois um comando americano invadiu o hospital para resgatar Jessi numa operação documentada em video.

Em poucas horas a moça da Palestina virou uma mistura de Rambo com Joana D’Arc. Tinha feridas sérias na perna, no braço e até hoje não tem controle do intestino e da bexiga.

Nas semanas seguintes surgiram outras versões sobre Jessi e o resgate. Ela não disparara um tiro porque o fuzil estava cheio de areia.

Os enfermeiros do hospital tinham tentado devolvê-la aos americanos mas foram recebidos a bala.

Foi um advogado iraquiano e não a CIA quem informou aos americanos o paradeiro de Jessi. A operação de resgate do comando no hospital não encontrou nenhuma resistência.

A imprensa acusou o Pentágono de manipulação e distorção de fatos e um porta-voz admitiu que houve excessos .

É constrangedor ver e ouvir Jessi na televisão. Bonita, tímida e pouco articulada ela é a anti-heroina. Tem pavor de tiro e violência. Os entrevistadores falam mais do que ela e o pai, sempre ao lado, completa as frases. Ela não parece à vontade.

A Rambo Joana D’Arc do Pentágono não é de guerra. É de praia, de 15 minutos de fama e de um milhão de dólares pelo livro.

Entrou para o Exército antes do 11 de setembro sonhando que ia servir no Havaí. Ainda sonha mas já não precisa do Exército para pagar a passagem.

Aloha Jessi.

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