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Brasil para iniciados
Naked Tropics ou Trópicos Nus não tem sexo, mas é cheio de safadezas de portugueses, ingleses, brasileiros, piratas e outros patifes. O historiador Kenneth Maxwell acaba de lançar, em inglês, pela editora Routledge, alguns dos seus principais ensaios sobre o Brasil e Portugal. O Brasil não é para principiantes, escreve o historiador citando Tom Jobim, mas este é o livro que vou dar de presente para vários amigos que nunca foram ao Brasil. A iniciação do próprio Kenneth Maxwell com o Brasil foi em 1960, num decadente cinema em Cambridge, na Inglaterra , onde estudava. Ele assistiu Orfeu Negro de Marcel Camus e a conexão foi imediata: vou para o Brasil. Não só foi como se tornou um dos mais influentes brasilianistas. Deu aulas em Yale, Princenton, Columbia e na universidade de Kansas. Hoje esta no prestigiado Council on Foreign Relations. Poucos brasileiros conhecem nossa história mais a fundo. Kenneth tem reputação de fuçador de documentos e um dos seus trabalhos mais respeitados e reveladores é a Devassa da Devassa, um levantamento de como os portugueses investigaram a Inconfidência Mineira. Neste livro, dois dos ensaios mais elaborados são sobre as relações do Brasil com Portugal e a independência brasileira. Um dos episódios mais curiosos é como Portugal declarou independência do Brasil dois anos antes do Brasil declarar independência de Portugal, nas margens plácidas do Ipiranga. Kenneth Maxwell expõe a dificuldade do Brasil para lidar com a escravidão e examina as primeiras conexões de brasileiros e americanos. Para Maxwell, José Bonifácio de Andrada e Silva era tão bem preparado quanto os principais líderes da independência americana. Thomas Jefferson tinha tanto entusiasmo pelo Brasil que propunha vínculos muito mais íntimos entre os dois países. Os navios brasileiros e americanos viajariam com as duas bandeiras, mas John Quincy Adams foi contra. Para ele o Brasil estava irremediavelmente devasso e corrompido pela igreja católica. |
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