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Atualizado às: 02 de outubro, 2003 - 11h23 GMT (08h23 Brasília)
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Nobel: Torre sem Babel


Nos últimos 15 anos, o Prêmio Nobel de Literatura foi para escritores de 15 países diferentes, mas nos Estados Unidos a maioria deles continua estrangeira.

Os americanos lêem a sul-africana Nadime Gordimer, o irlandês Seamus Heaney, o trinidadiano V.S. Naipul e a compatriota Toni Morrison por um motivo simples: os quatro escrevem em inglês.

Uma minoria conhece o português José Saramago, o italiano Dario Fo e o alemão Günter Grass, que foi muito lido até a década de 70, mas desde então a ficção estrangeira começou a sumir das estantes.

Quando o húngaro Imre Kertesz ganhou o Nobel, ano passado, só tinha vendido 3,5 mil livros numa edição da Northwestern University Press.

Fora do circuito universitário, não havia um livro dele nas livrarias quando anunciaram o prêmio. Imprimiram as pressas milhares de cópias, mas as vendas nunca passaram dos 40 mil exemplares.

Comparado com os best-sellers americanos, é um número ridiculo. Na lista dos dez mais vendidos no momento, cinco já foram lançados com tiragens acima de 1 milhão de exemplares. Só um saiu com menos de 400 mil.

A melhor explicação é que, depois da década de 80, as grandes editoras compraram as pequenas, que eram as principais lançadoras de autores estrangeiros.

Para as grandes editoras, o importante é número grande, e os estrangeiros são pequenos.

A recíproca não é verdadeira. Em 2002, os alemães compraram e tradurizam quase 4 mil livros americanos, mas os Estados Unidos só compraram direitos de 150 títulos alemães.

A xenofobia americana não pára na literatura. Nos 200 filmes recordistas de bilheteria de 2003, só nove não são em inglês.

Cidade de Deus está em 132º lugar, com um faturamento de US$ 4,5 milhões. Em primeiro, está o desenho animado Procurando Nemo, com quase US$ 350 milhões só no mercado americano.

No país que mais importa no mundo, na hora da leitura e do cinema, os importados não têm nenhuma importância.

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