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Atualizado às: 06 de novembro, 2003 - 13h05 GMT (11h05 Brasília)
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Suor Proibido
Lucas Mendes


Quando você entra num supermercado da rede Wal-Mart, a limpeza chama atenção. O chão brilha, os produtos estão expostos em prateleiras impecáveis, os uniformes dos empregados, passados e sem manchas.

A limpeza é feita à noite, com suor proibido pelas leis americanas. Na madugada de 23 de outubro, policiais e agentes da imigração prenderam 251 imigrantes ilegais de mais de 30 países, fazendo a faxina de 60 supermercados da Wal-Mart em 21 Estados americanos.

A grande maioria vinha da Europa Central e da América Latina. Trinta e um eram brasileiros. Não predenderam mais porque não foram a outros supermercados. Faxina nos Estados Unidos é emprego de imigrante.

Os presos sem antecedentes na polícia foram soltos com instruções de voltar para julgamento. Se voltarem, com certeza serão expulsos ou deportados.

Wal-Mart é a maior empresa do mundo com mais de um milhão de empregados em dez países.

A fortuna dos herdeiros Walton, principais acionistas, esta avaliada em 83 bilhões de dólares. São 17 bi para cada um.

Os empregados da faxina ganhavam US$ 7 por hora, trabalhavam pelo menos 60 horas por semana, com 15 minutos de descanso por noite.

Eram contratados por empresas terceirizadas que não pagavam obrigações sociais nem seguro de saúde. Quem se machucava era responsável pela conta ou dava o calote no hospital.

Apesar do salário e das condições, imigrantes vinham e vem do mundo inteiro para trabalhar na Wal-Mart.

Entre os presos, havia um engenheiro e um médico checos.

Há uma máfia na faxina. A Wal- Mart contrata a empresa A oferecendo US$ 10 por hora ao faxineiro. A empresa A contrata a B pagando US$ 9; a B contrata a C pagando US$ 8 e a C contrata os empregados pagando menos do que US$ 7 por hora.

São US$ 2 acima do salário mínimo americano e o faxineiro leva para casa US$360 por semana livre de impostos. No México, o mesmo trabalho paga US$30. Noutros países até menos.

Agora as empresas terceirizadas declaram falência, reabrem com outros

nomes e contraram outros faxineiros.

Na própria Wal-Mart isto já aconteceu em 98 e em 2001. Apesar da repressão e dos muros na fronteira, o chão da Wal-Mart continuará limpo com suor proibido.

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