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Debatedores cobram aumento de verbas para combate ao trabalho infantil
A BBC Brasil realizou neste sábado um evento para discutir "que papel a sociedade pode fazer para ajudar a combater o trabalho infantil". Os palestrantes ressaltaram a necessidade de maiores investimentos do governo em programas e a participação efetiva da sociedade civil. O secretário estadual de Ação Social do Rio de Janeiro, Fernando William, disse que a população precisa cobrar dos congressistas o aumento nas verbas para projetos sociais no orçamento federal. "Para o ano que vem, o projeto Agente Jovem que teoricamente daria continuidade ao trabalho do Peti entre os jovens de 15 a 18 anos saiu do orçamento. Isso é preocupante. A sociedade deve cobrar dos congressistas a amplicação das metas, já que as metas não foram ampliadas para 2004, como era esperado, e pelo menos a manutenção do projeto Agente Jovem", disse o secretário. No evento, realizado na sede do projeto Criança Esperança na comunidade Cantagalo Pavão-Pavãozinho em Ipanema, no Rio, o oficial de programas da Unicef, Mário Volpi, ressaltou que a atitude das pessoas em geral precisa mudar em relação ao trabalho infantil. "O trabalho não pode ser usado como educativo. O trabalho tem que ser assegurado para os adultos e, conseqüentemente, para o bem estar das crianças," Cultural "Precisamos dar um passo importante no Brasil e dizer que esse problema cultural de achar que o trabalho infantil é uma solução já deve ser um problema menor. Agora, nós temos que ir para o passo seguinte. O Estado tem assumir o seu papel e a sociedade tem que produzir suas alternativas e os investimentos precisam aumentar." Outro participante do painel, Veet Vivarta, diretor-editor da Andi, a Agência de Notícias dos Direitos das Crianças, lembrou que é preciso um acompanhamento constante dos projetos em andamento. "Nós estamos lidando com trabalho infantil que é um sintoma de questões estruturais básicas. Nós precisamos acompanhar o que está sendo feito em relação a essas politicas. Não só no lançamento. Acho que nós temos uma grande deficiência em relação à imprensa no aprofudamento da pauta social. O Brasil aprendeu a valorizar informações da área econômica nos últimos 15 anos, que também são importantes. Mas precisamos trazer para o nosso dia-a-dia, para a nossa mesa de jantar as infomações ligadas a agenda social", ressaltou Vivarta.
Vanda Sá, uma das coordenadoras do Ceafro, um programa da Universidade Federal da Bahia que atua junto a trabalhadores infantis domésticas em Salvador, falou sobre a última pesquisa do PME, a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, mostra que o volume de crianças trabalhando nos centros urbanos aumentou em 50% nos primeiros nove meses do governo Lula. "São dados que nos levam a ficar atentos, mas não sabemos o que eles representam em relação ao total do trabalho infantil. Na verdade, essa pesquisa reflete apenas o trabalho infantil nos espaços organizados da economia. Então, ela é preocupante porque ela inclui crianças de até 10 anos. Isso é ilegal porque essa criança não poderia estar trabalhando." Falhas Para Mário Volpi, os números apresentados na pesquisa mostram que há falhas na forma como o trabalho infantil vem sendo combatido no país. "O número é ruim, e é grave porque ele revela que, apesar da direção que o país tem tomado para combater o trabalho infantil ser uma direção correta, a velocidade em que se avança para no combate ao trabalho infantil ainda não é suficiente. O conjunto de recursos que se investe e a agilidade do Estado precisava ser maior para fortalecer os núcleos familiares - para eles poderem abdicar da necessidade do trabalho infantil - ainda é muito lento."
"A sociedade pode contribuir mas é o Estado que precisa reverter essa tradição que existia no país de que havia sempre uma política para ajudar a criança para que ela ajudasse a família. Nós precisamos mudar esse rumo para que a família passe a ser um espaço de proteção e de garantias dos direitos das crianças", completou. Armand Nogueira, diretor-geral da OIT, Organização Internacional do Trabalho no Brasil, acha que é necessária a criação de uma estratégia integrada de combate ao trabalho infantil. "Quando há escassez de recursos precisamos atacar primeiramente o que é menos tolerável como a exploração sexual, o trabalho doméstico sem remuneração, a pornografia, aquilo que é mais perigoso. Não quer dizer que as outras formas não precisam ser reduzidas. Quer dizer que precisamos atacar as menos toleráveis e criar metas para aquilo que é mais tolerável mas também é indesejável e maléfico." |
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