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Em Retirolândia, centenas de crianças aguardam benefício
No município de Retirolândia, na região sisaleira da Bahia, o Peti, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, virou a opção para as crianças que estavam trabalhando. Mas ainda há muitas crianças na fila de espera, já que a demanda é muito menor do que a oferta. No momento, cerca de 220 crianças estão na fila à espera de uma vaga no Peti e a chance de ganhar R$ 25 por mês. E todas as crianças dizem que conhecem outra criança que ainda está trabalhando, esperando uma chance de trocar o trabalho pela jornada ampliada. Muitas delas já freqüentam a jornada ampliada oferecida pelo Peti, assistindo as aulas e fazendo as refeições, mas sem receber a bolsa. As crianças já forma apelidadas de "encostadas". Com a implementação do Peti o município conseguiu praticamente erradicar o trabalho de crianças nas pedreiras, onde passavam parte do dia quebrando pedras, sem condições mínimas de segurança ou higiene. Fora do trabalho A equipe da BBC Brasil percorreu vários pontos na região de Retirolândia onde se concentra o trabalho de quebrar pedra mas não encontrou crianças.
Vários moradores de áreas próximas às pedreiras também confirmaram que nos últimos anos as crianças já não fazem mais esta atividade. Um exemplo é Norma, de 9 anos. Ela trabalhava quebrando pedra junto com a mãe, enquanto o pai trabalhava no motor do sisal. Agora, é uma "encostada" no Peti à espera do recebimento da bolsa. Mesmo sem o dinheiro, deixou o trabalho em troca da jornada ampliada. Dos seus irmãos, dois já recebem a bolsa. "Com o dinheiro da bolsa dos meus irmãos minha mãe compra comida para a casa", diz Norma. A maioria das crianças da região que está integrando o Peti trabalhava no sisal, acompanhando os pais. O trabalho é duro e muitas delas precisam passar a semana fora de casa, com os pais, nos locais onde ficam os motores que transformam o sisal em fitas. Um dos coordenadores dos monitores do Peti, Hosmaílton de Araújo Oliveira, de 26 anos, diz que a procura por vagas é grande. O jovem conhece o problema de perto. Ele começou a trabalhar aos 8 anos de idade no sisal de onde saiu apenas quando completou o ensino médio.
"Era muito difícil porque tinha que, as vezes, passar a semana fora de casa, acompanhando onde estava instalado o motor. E tinha que ir à aula. Muitas vezes precisava caminhar até seis quilômetros para ir estudar". Hosmaílton diz que se sente muito feliz em estar fazendo este trabalho, apesar das dificuldades que enfrenta no dia-a-dia. Junto com outro coordenador precisa caminhar ou aproveitar as caronas para chegar aos pontos mais distantes da região sertaneja de Retirolândia, conferindo como andam as crianças incluídas nos projetos e levantando quem ainda precisa deixar o trabalho. "Me sinto muito feliz fazendo isso, porque não quero que essas crianças passem o que eu passei", completa o jovem baiano.
Atividades A chance de estar fora do trabalho e as atividades oferecidas na jornada ampliada fazem com que as crianças desenvolvam outras capacidades. Uma das atividades preferidas dos alunos é o baú de leitura, um projeto do Unicef Bahia, que visa melhorar a qualidade da jornada ampliada. "Desde 96, quando teve início o Peti, o nosso escritório na Bahia, resolvemos apoiar o projeto com prioridade. A gente se preocupa com a qualidade da jornada ampliada e da escola. Esse apoio do Unicef ajuda a diferenciar o trabalho do Peti na Bahia de outros estados", explica Iara Farias, coordenadora do Peti na Bahia. "Depois do baú de leitura fiquei menos tímida e me apaixonei pelos livros. Também acho que nos ajudou a desenvolver outras atividades como o teatro", diz Vanusia, de 13 anos, que está no Peti há quatro anos. No momento, 1.228 crianças são contempladas com a bolsa do Peti. A meta para 2003 é de 1.423 na região de Retirolândia. A educadora Isabela Ribeiro, de 19 anos, que trabalha em uma unidade do Peti, em Retirolândia, diz que o aproveitamento das crianças na escola aumentou depois que passaram a freqüentar a jornada ampliada. "A gente consegue ver a melhora na escola. Além disso, as mães não tinham onde deixar os filhos após a escola. Isso também ajuda a evitar a evasão escolar ", completa. |
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