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Cultura local influencia trabalho no cultivo do fumo
A presença de crianças trabalhando nas plantações de fumo, no sul do Brasil, é um caso bastante particular. Não se trata de famílias vivendo na pobreza absoluta, e as crianças, em sua maioria, continuam freqüentando a escola. De acordo com a professora Terezinha Condes, da Escola Cristo Rei, em Candelária (RS), a evasão escolar vem diminuindo na região nos últimos anos, graças a uma ação da Delegacia Regional do Trabalho e dos governos locais, que tem conscientizado as famílias. Ainda assim, as crianças e os jovens da 8a. Série da escola trabalham praticamente todos os dias, ajudando seus pais nas plantações de tabaco. Futuro “Não sei se vou poder cursar o segundo grau”, diz Margareth Kremer Sott, de 14 anos, que gostaria de ser professora no futuro. “Minha mãe trabalha sozinha, só tem a mim e minha irmã para ajudar na lavoura”, explica.
A supervisora da escola, Maria Matildes Paulus, conta que os agricultores não têm dinheiro para contratar ajuda no momento mais necessário no ciclo do fumo. “Além disso, muitos funcionários contratados entram na Justiça contra os empregadores – e em geral têm ganho de causa – porque não cumprem um período completo de contrato”, conta ela. Cultura A questão cultural também é um fator de forte influência no trabalho infantil nessa região. “A maioria dessas famílias é de luteranos, religião em que o trabalho é uma forma de louvar a Deus”, explica a geógrafa Vírginia Etge, coordenadora do programa de mestrado e doutorado em desenvolvimento regional da Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul). “Além disso, eles reproduzem um regime servil, o que tem reflexos diretos nas relações intrafamiliares”, completa. Visitando a escola Cristo Rei, no município de Candelária, cerca de 90% dos alunos são filhos de produtores de tabaco e boa parte deles é de ascendência européia. Os pais dessas crianças, por sua vez, trabalharam desde cedo na lavoura, com seus pais. “Só estudei até a quarta-série. Também plantava fumo com meus pais desde criança”, conta Geni Hemerdinges, mãe de Lairton, aluno da 8a. Série da escola.
O fumo é a cultura que mais gera lucro para o pequeno agricultor, e Lairton não se lembra de quando começou a trabalhar na plantação. “Desde sempre, acho”. Os produtores de tabaco são contratados por produção. As companhias “encomendam” a eles um determinado número de pés de fumo no início do ciclo. A empresa fornece as sementes e o material necessário e se compromente a comprar a produção no fim da safra. Levantamento No fim dos anos 90, o auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho, Claudio Menezes, e a socióloga Eridan Magalhães, também da Delegacia, fizeram um levantamento em cinco municípios produtores de fumo da região, para avaliar a situação das crianças.
“O levantamento foi feito para que fosse implantado o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) na região”, conta Eridan. Nem todos os municípios aderiram ao programa do governo, mas como resultado desse trabalho diminuíram sensivelmente o contato das crianças com agrotóxicos e a evasão escolar. Mas as crianças continuam trabalhando. |
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