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Atualizado às: 01 de novembro, 2003 - 08h05 GMT (06h05 Brasília)
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Visita de Lula busca aproximação com a África

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula: acordos de cooperação e busca por perceiros comerciais

Ao embarcar para a África, na noite de sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende pôr um fim ao período "em que o governo brasileiro deu as costas para a África", como define o Itamaraty.

Lula deve assinar cerca de 40 acordos de cooperação técnicas em áreas como educação e saúde mas vai também em busca de novos mercados para as empresas brasileiras e de parceiros nas negociações com os países desenvolvidos.

"A África é uma prioridade na nossa política externa e é importante que retomemos esse contato", diz o embaixador Pedro Motta, diretor da Divisão da África do Ministério das Relações Exteriores.

"Queremos ampliar os contatos na área econômica, mas também temos uma agenda social", afirma Motta.

A viagem havia sido programada para o início de agosto, mas foi cancelada apenas poucos dias antes do embarque por causa crise política interna durante a votação da reforma da Previdência.

O giro de cinco países do sul da África começa no domingo, com uma visita de apenas cinco horas ao arquipélago de São Tomé e Príncipe, antiga colônia portuguesa. Lula inaugura uma embaixada no país, o único país africano de língua portuguesa que ainda não tinha uma representação diplomática brasileira.

O presidente também leva um projeto da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que vai ajudar o país a organizar a exploração das reservas de petróleo nas águas do arquipélago, descobertas recentemente.

Com apenas 160 mil habitantes e renda per capital anual de US$ 280 (aproximadamente R$ 805), a descoberta de petróleo no país oferece boas perspectivas de investimento no futuro.

Angola

Já no domingo à tarde, o presidente embarca para Luanda, em Angola, onde fica até terça-feira. De lá o presidente vai para Maputo, em Moçambique. Na quinta-feira vai para Windhoek, na Namíbia e, no dia seguinte, embarca para Pretória, na África do Sul, a última etapa da viagem de uma semana ao continente africano.

É em Angola, também ex-colônia portuguesa com 13,6 milhões de habitantes e renda per capital anual de US$ 500 (aproximadamente R$ 1.435) que estão as maiores oportunidades de investimento para as empresas brasileiras.

Recém-saída de uma guerra civil que durou 27 anos e destruiu o país depois da independência de Portugal, em 1975, Angola tem petróleo e outros recursos naturais – portanto, dinheiro para pagar pela reconstrução e modernização do país.

“Existe quase uma corrida empresarial em direção a Angola, pelas oportunidades que se oferecem no país”, diz o embaixador Pedro Motta.

Investimentos

O Brasil, pela língua e pelos laços históricos e culturais, já está bem posicionado. São brasileiros boa parte dos investimentos feitos no país nos últimos anos, com mais velocidade depois do fim da guerra, no ano passado.

O Banco do Brasil vai aproveitar a visita do presidente para inaugurar um escritório em Angola.

O país já tem, desde os anos 80, uma linha de crédito do Proex, programa do governo de financiamento das exportações, que permite o pagamento com petróleo de parte das exportações brasileiras para o país.

Em Angola, o presidente será recebido pelo presidente, José Eduardo dos Santos, e também pelos representantes dos outros poderes.

Escravos

Ele fará ainda um discurso na Assembléia Nacional sobre a ligação do Brasil com Angola, de onde vieram boa parte dos escravos brasileiros.

Em vários discursos, o presidente tem falado sobre “a dívida histórica que o Brasil tem o continente africano”.

Em Moçambique, Lula vai fazer a entregue simbólica de medicamentos antiaids para tratar 100 doentes por um ano, atividade que faz parte de um projeto brasileiro que inclui outros quatro países africanos e cinco latinoamericanos.

Também destruído por uma guerra civil nos 16 anos que se seguiram à independência de Portugal, a economia de Moçambique apresenta um crescimento elevado nos últimos anos, mas o país ainda é um dos mais pobres do mundo.

O presidente moçambicano, Joaquim Chissano, é o presidente da União Africana e um líder importante na região.

Namíbia

Com a Namíbia, o Brasil já mantém um importante projeto de cooperação naval. O país é responsável pela formação da Marinha da Namíbia, país que se tornou independente da África do Sul em 1990.

Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) per capita de quase US$ 2 mil (aproximadamente R$ 5,75 mil) – bem superior à dos países vizinhos – a expectativa de vida no país é inferior a 50 anos.

Em termos políticos, o país mais importante é a África do Sul, última etapa da viagem presidencial. Os dois países já são parceiros no G-3, que conta também com a Índia e pretende criar uma relação de fortalecimento do hemisfério sul para enfrentar os países desenvolvidos em negociações multilaterais de comércio.

A África do Sul é também o país mais desenvolvido da região, com economia mais parecida com a do Brasil.

De acordo com um dipomata do Itamaraty, o Brasil tem muito a aprender com a África do Sul sobre o continente, já que o país é o maior investidor na região, com uma bolsa de valores duas vezes maior do que a de São Paulo.

“É importante fortalecer nossa base de apoio político para negociar com os países industrializados”, diz o embaixador Paulo Motta.

Para o cientista político Henrique Altemani, professor do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais (Nupri) da Universidade de São Paulo (USP), a ênfase do governo Lula à África é a retomada da política adotada pelo país até os anos 70.

“É um pouco um samba de uma nota só. A retomada da perspectiva de sempre. Estamos desde os anos 60 buscando uma redefinição do comércio internacional”, afirma Altemani.

Ele lembra que o Brasil tinha uma forte ligação com esses países naquela época, mas que essa política foi abandonada nos anos 80, quando houve um enfraquecimento do chamado Terceiro Mundo.

Já no início da década de 90, o país procurou se aliar aos vizinhos da América do Sul, com a criação do Mercosul. A reaproximação começou em meados dos anos 90, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Mas o acirramento das disputas nos organismos multilaterais de comércio acabou resultando numa aproximação maior dos grandes países em desenvolvimento.

“O objetivo é claramente político. De retomar vinculações e parcerias políticas para um ação conjunta no sistema internacional, em especial a mudança das regras do sistema de comércio”, afirma Altemani.

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