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Problema da fome é mais ético do que econômico, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta sexta-feira um discurso de improviso de quase 20 minutos no Parlamento regional do Principado das Astúrias, com sede em Oviedo, na Espanha. Lula, que viajou à cidade para receber o prêmio Príncipe das Astúrias, foi recebido por María Jesus Alvarez González, presidente do Parlamento local. O presidente brasileiro concentrou o seu discurso principalmente na defesa do programa Fome Zero, principal projeto do governo no combate à fome e uma das razões para que a Fundação Príncipe das Astúrias decidisse premiá-lo. "Quero sensibilizar a humanidade para esse problema (a fome), que é muito menos uma questão econômica e muito mais uma questão ética", disse. "Os famintos são um grande problema social e quero transformar a fome em um grande problema político." De acordo com o presidente, o combate à fome também é dificultado por dois problemas: o orgulho de que sofre com a falta de comida e não aceita pedir ajuda e a falta de organização das pessoas que não sabem como concentrar os esforços para lutar contra a fome. Lula declarou ainda que sabe das dificuldades que o Brasil enfrenta no "desafio" de acabar com a fome no país, mas citou o exemplo de sua própria trajetória e da trajetória do PT como provas de que está acostumado a fazer "coisas difíceis". "Havia muita gente importante que dizia que não era possível. Vinte anos depois, temos o maior partido de esquerda da América Latina", afirmou. "Estou convencido de que, na luta contra a pobreza, a palavra é ética, a palavra é cidadania. Não é um desafio apenas político. É um desafio ético, humanista e cristão." Segundo o presidente, o "mundo produz alimentos suficientes" para alimentar a todos, mas a comida não chega a quem mais precisa. Lula também agradeceu o carinho da população, que exibiu faixas com a frase 'Lula es mola' ('Lula é legal'). O presidente também se disse grato com o princípe Felipe, o rei Juan Carlos e a rainha Sofia, que esteve recentemente em Brasília no Forúm de Microcrédito. O presidente brasileiro agradeceu, ainda, à fundação responsável pelo prêmio por ter adiantado a entrega, uma estatueta desenhada pelo artista catalão Joan Miró e um cheque de 50 mil euros (quase R$ 170 mil), para que ele pudesse fazer uma doação ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O presidente afirmou que a doação tem o objetivo de "sensibilizar outros governos", que "assumem os compromissos com as Metas do Milênio e, no dia seguinte, não lembram de nada". "Lula é um símbolo de que as utopias podem virar realidade", disse a presidente do Parlamento. O presidente assinou o livro de ouro do Parlamento e recebeu um crucifixo de ouro e pedras. A visita de Lula era um pedido expresso do príncipe Felipe de Bourbon, que chegou a atrasar um almoço com os vencedores do prêmio Príncipe das Astúrias para que o presidente brasileiro pudesse visitar o Parlamento regional. |
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