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Lula e Aznar se reúnem para reforçar 'nova amizade'
À primeira vista, as afinidades entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, são poucas. Um é líder conservador no último ano de mandato e o outro, representante da esquerda estreando como chefe de Estado. Um é pró-Bush e apoiou a guerra no Iraque e o outro criticou a invasão militar e tem desencontros com a administração americana. Apesar de tudo, os dois se reúnem nesta terça-feira como bons novos amigos. Aznar desembarca em Brasília para devolver a visita que Lula fez a Madri em junho. O premiê espanhol leva gestos de apoio ao Brasil e até alguns pedidos de ajuda para melhorar as relações espanholas com o presidente cubano, Fidel Castro. Acordo e apoio O primeiro ponto da viagem é a assinatura oficial do acordo bilateral de cooperação que ambos decidiram há quatro meses na Espanha. O segundo é o apoio aos investidores, já que as empresas espanholas tiveram o mercado brasileiro como alvo número um na década passada – até colocar o país como segundo maior investidor mundial no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. "Essa viagem é um grande respaldo de Aznar a Lula, visando, claro, os investimentos espanhóis. Temos que lembrar que as empresas espanholas não tiveram no Brasil, como muitos esperavam, os conflitos que tiveram com o governo argentino, por exemplo", diz o diretor da consultoria Expansión, Carlos Sánchez. "Dá a sensação de que há ótima sintonia entre os empresários estrangeiros e Lula. Portanto, essa visita é um apoio das altas instituições políticas e financeiras espanholas às reformas que Lula está fazendo", acrescentou. 'Efeito Lula' Passado um ano do chamado 'Efeito Lula', que movimentou os mercados financeiros internacionais, principalmente a Bolsa de Madri, já que as duas maiores empresas espanholas, a Telefônica e o Banco Santander, fizeram grandes investimentos no Brasil, o empresariado espanhol parece aceitar melhor a imagem do presidente petista. Segundo os analistas, isso acontece porque Lula mudou de discurso. "O Lula candidato do Partido dos Trabalhadores não é o mesmo Lula de agora, presidente da República. Fundamentalmente, porque sua política monetária está na mesma linha ortodoxa do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial", afirma Sánchez. "Ele tem uma imagem positiva neste momento. Quer maior prova de que ter ganho o Prêmio Príncipe de Astúrias? Foi aplaudido e abraçado pelos maiores empresários e políticos da Espanha na semana passada." O maior banco espanhol, o Santander, apóia Lula desde a campanha eleitoral. Com um investimento inicial no mercado brasileiro (é dono do Banespa) de US$ 16 bilhões e a expectativa de aumentá-lo no próximo ano, os empresários continuam otimistas em relação ao Brasil de Lula. "A situação é de ajuste e recessão, mas nós não falamos de prejuízos. Todas as grandes empresas que investiram no Brasil sabem que é um projeto a longo prazo e que o potencial do mercado brasileiro é enorme. Por si só, é uma garantia", disse o representante para América Latina do Santander, Juan Ruiz. Frutos políticos Além dos elogios e acordos econômicos, a visita de Aznar ao Brasil pode dar frutos políticos a Espanha. Segundo os analistas, o primeiro-ministro aproveitará a liderança de Lula na América Latina e as boas relações dele com outros países com os quais o governante espanhol tem dificuldades de entendimento. "Lula é um conciliador. Pode criar uma ponte com países como Cuba e Venezuela, com quem a Espanha tem agora má relação. Também com o governo argentino, onde não há química nem com os empresários. Aqui, todos pensam que a Argentina é um país sem proteção legal, com insegurança jurídica e onde impediram a subida de tarifas", diz o diretor do Instituto de Empresas, Rafael Pampillón. "Lula respeitou os direitos de propriedade das empresas espanholas. A boa relação que ele tem com muitos presidentes latino-americanos como Hugo Chávez e Fidel Castro pode ajudar a imagem e as negociações da Espanha com o resto da região." O único ponto polêmico da visita é a questão agrícola. O Brasil pede aos grandes mercados como Estados Unidos e União Européia o fim das leis protecionistas que impedem a concorrência dos produtos brasileiros. Essa batalha também afeta os agricultores espanhóis. Por isso, em Madri, poucos acreditam que Aznar e Lula possam chegar a um acordo. A Espanha seria, no máximo, uma via de acesso ao mercado europeu para a produção brasileira e facilitaria os acordos com o Mercosul, tendo em Lula seu representante maior na região na hora de negociar. "Na hora da verdade, cada um defende o seu lado. O Brasil quer eliminar todas as barreiras alfandegárias para vender sua mercadoria aos países ricos, e os países ricos querem o contrário: mais barreiras para proteger seus agricultores. Por mais negociação que tenham, cada um está de um lado. A Espanha está na União Européia e não vai fazer muito mais", afirma Carlos Sánchez. |
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